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Da “condução agressiva” à ditadura de “férias em Agosto”

Parafraseando: diz como passas (ou desejas passar) as férias e direi quem tu és, mais verdadeiramente!

N/D
9 Ago 2004

Na campanha de segurança, posta em marcha por ocasião da primeira vaga de férias (final de Julho e princípio de Agosto), ouviu-se uma expressão um tanto rude para caracterizar certas atitudes dos automobilistas nas estradas: “condução agressiva”.
Tanto quanto se percebia este dito comportamento apelidado de “agressivo” revestia-se de certas características: manobras perigosas (sobretudo nas ultrapassagens), excessos de velocidade, abuso de telemóvel ao volante, não uso do cinto de segurança para todos os passageiros, condução sob efeitos de álcool…
desrespeito das regras de trânsito.

Apesar destas precauções/fiscalização ainda houve dezenas de acidentes, embora com menos mortos e menos feridos… em relação aos números de idêntico período do ano passado. Mas nesse mesmo fim de semanadata, no Centro da Europa (Alemanha e França), houve filas de trânsito com mais de seiscentos e cinquenta quilómetros de extensão… Todos corriam para férias, amontoando-se rumo às praias, criando sobrecarga no litoral e tornando os lugares de lazer em espaços de tensão social, ecológica e económica.

De facto, tudo pára no mês de Agosto. Este «tudo» tem tanto de esquisito quanto de inoportuno, pois dá-se uma paragem quase absoluta de fábricas e escritórios, escolas e universidades, cidades e aldeias (excepto as do interior onde chegam os emigrantes ávidos de “matar saudades” da terrinha)… atingindo – pasme-se em muitos casos atribuladas pelas festas anuais e só até elas – mesmo as paróquias que ficam reduzidas à manutenção!

Somos daqueles que não têm férias em Agosto, pela simples razão de que com tanta gente a atulhar os espaços de veraneio e afins quase se perde a capacidade de descanso, de descontracção e de fuga ao (apelidado) stress.

* Parece ser urgente a reformulação do tempo de férias, pois muitas coisas encarecem pelo excesso de procura e (em mais casos do que era desejável) as pessoas são mal servidas.

* Parece ser urgente repensar os espaços propostos para as pessoas se deslocarem, pois o recurso à praia (quase em exclusivo com sol, água e literatura de fofocas) torna-se um modelo esgotado e (com as mudanças de clima) demasiado imprevisto.

* Parece urgente encontrar alternativas culturais, propor situações inovadoras e criar
novas perspectivas ao tempo de lazer, tão necessário quanto apetecível.

Vão, entretanto, surgindo nas áreas de maior procura para férias propostas em ordem a elevar o nível dos veraneantes através de ciclos de conferências (gerais ou especializadas), com feiras do livro, espectáculos musicais (clássica, litúrgica, folclórica, juvenil…), retiros, cursos ou encontros de teor espiritual, acções de voluntariado (tanto dentro como fora de fronteiras), viagens e aventuras temáticas…

De alguma forma vai-se tentando dar às pessoas mais do que a panaceia para o corpo, criando estímulo às outras vertentes humanas (psicológica, afectiva, emocional ou espiritual) e fazendo descobrir – em certas situações será mesmo dar a primeira apetência – o que há de mais sublime na pessoa para além das necessidades básicas mais imediatas.

Parafraseando: diz como passas (ou desejas passar) as férias e direi quem tu és, mais verdadeiramente!




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