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“Fortalecer a Paz para não ter que emigrar”

Sem paz o mundo está condenado a tornar-se no planeta da mobilidade trágica.

N/D
8 Ago 2004

Uma das causas que actualmente “forçam” milhares de pessoas a deixar, sem outra alternativa, a própria Pátria é, sem dúvida, a vergonhosa falta de paz em incontáveis sítios do nosso mundo. Sem paz o mundo está condenado a tornar-se no planeta da mobilidade trágica. Na verdade, nenhuma fronteira, por mais sofisticada e intransponível que se apresente, assim como, nenhuma legislação por mais restritiva que os políticos a regulamentem, conseguirão deter o “peregrinar desconsolado dos desalojados” e “a fuga desesperada dos refugiados”, como diz o Papa.

É com esta consciência crítica que os cristãos em Portugal – sacerdotes, religiosas e leigos – continuam a ousar acolher todos os imigrantes sem olhar à sua situação legal, mas vital; a teimar denunciar as “estruturas de pecado” que germinam no mercado do trabalho, da habitação, da prostituição e da política; a querer libertar dos ” traficantes de pessoas” e dos “intermediários” que, sob formas falsas e dúbias de solidariedade, exploram a vulnerabilidade de quem decide emigrar; e, ainda, a ousar investir na formação específica de pessoas para renovar as competências e as estruturas pastorais das dioceses vocacionadas para a sensibilização da sociedade, o acolhimento, a integração gradual e a cidadania de todos.

Encontrar meios sociais eficazes, estratégias políticas coerentes e respeito pelos Acordos e Convenções de Direito internacional que permitem intensificar o Desenvolvimento e consolidar a Justiça e a Paz nos países mais empobrecidos ou mais instáveis a nível político, é o caminho “libertador” a percorrer e a garantia das populações ao “direito a não emigrar”. De facto, todos os homens e mulheres têm direito a viver em paz, com dignidade e com o necessário para si e suas famílias, na própria terra. É, por isso, que a Igreja continua comprometida, desde há séculos, através dos seus missionários e estruturas de intervenção social, na acção de promoção humana que favorece o exercício desse direito.

No entanto, por outro lado, defende com o mesmo vigor “o direito a emigrar”, baseado na liberdade humana e universal de movimento de todo o cidadão. Quando uma pessoa ou uma família não encontra na própria terra o necessário para viver dignamente, em liberdade e segurança, é-lhe salvaguardada a possibilidade de procurar noutro canto da terra – na “casa comum” de todos! – o necessário para (sobre)viver e desenvolver-se como pessoa e como família.

Portugal, desde há muito, sabe na pele o que isso significa pois os 4.862.093 portugueses a viver pelo mundo são beneficiários deste direito. Defender ambos os direitos, criando entre eles uma interacção à luz do humanismo cristão e o sentido do Bem comum, é construir condições concretas de paz entre os povos e religiões e apostar no fenómeno das migrações como uma realidade positiva e decisiva “que contribui para cultivar o sonho de um futuro de paz para toda a humanidade”.




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