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Os incêndios

Presentemente, em Portugal, a palavra Verão é sinónimo de incêndios.

N/D
7 Ago 2004

De facto, mal entra o estio e o sol esquenta no alto das serras, surgem logo, bem localizados no tempo e no espaço, diversos incêndios pelas regiões deste desafortunado país. Umas vezes, mais a norte, outras, no centro ou no sul, a verdade é que, em poucos anos, a maior parte da floresta do país foi pasto de inclementes chamas, que tudo têm devorado.
É certo que sempre houve incêndios; mas, com esta intensidade e tão bem distribuídos pelas diversas montanhas do país, não. Muito se tem dito e escrito sobre as causas, que estão na origem deste tremendo flagelo, havendo até uma certa semelhança entre as línguas da crítica e do fogo.

Desde «fogo posto» a descuido de fumadores; da limpeza do restolho a piqueniques nas matas; da falta de meios aéreos e terrestres a reforço de homens; de tudo se falou e a todos foram pedidos cuidados especiais. Mas, os resultados foram pouco ou nada animadores.

Tratando-se de «fogos postos», a solução indicada e possível seria, no início de cada Verão, reter devidamente guardados os noventa e tantos pirómanos conhecidos como suspeitos.

De outra forma, só se o governo puser um bombeiro no telhado de cada habitação; um helicóptero em cima de cada árvore e um avião, cheio de água, em cima de cada mata, consegue resolver o problema. Mesmo assim! Será importante não deixar os referidos «tarados» viciarem-se neste acto de selvajaria porque, queimando a floresta, podem muito bem virar a doentia tendência para as casas de habitação.

É aqui, na falta de um severo castigo e na fruição da liberdade que se gozam para cometer esses crimes, que os governos têm falhado. Perante a calamidade e o imprevisto do «fogo posto», não há aviões, homens ou aceiros que valham. Só a detenção preventiva dos prevaricadores poderá resolver o problema.

Há ainda outras causas a ter em conta, mas não é no espaço de um ou dois anos que se abrem aceiros e caminhos de acesso; que se apetrecha o parque de viaturas; que se compram aviões e helicópteros; que se edificam tanques com reservas de água; que se recrutam equipas de vigilância e de limpeza, etc., etc.

Esse trabalho já se devia vir fazendo, há anos a esta parte; a verdade, porém, é que nada foi feito, em termos práticos de eficiência. Andou e anda tudo entregue à devotada carolice de uns e ao amadorismo dedicado de outros!… A gravidade da situação exige mais profissionalismo e não se compadece com retóricas políticas, quer no topo e quer na base.




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