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A defesa do consumidor

Eu desafio qualquer cidadão deste país para me dar uma lista exaustiva dos produtos que não pagamimpostos encapotados. Eu só conheço um – é a má língua.

N/D
7 Ago 2004

Parece-me muito louvável a criação de instituições voltadas para a defesa do consumidor. Realmente para contrabalançar o bombardeamento a que somos sujeitos com a publicidade cada vez mais activa e agressiva, é bom que alguém nos venha alertar para os perigos que corremos em certas situações que nos apresentam como ideais e de um modo aliciante e criativo, coisa que não falta aos publicitários.

Beba o refrigerante X – e o anúncio chamativo, fica depositado no nosso subconsciente e num momento de necessidade, ao pedir um refrigerante, a tal marca sai-nos da boca sem pensarmos. Isto para não falar naquelas pessoas que gostam de mudar constantemente e que gostam de provar de tudo, e muito mais quando se trata de uma novidade, mais não seja para fazer figura junto dos amigos. Ainda não provou o novo refrigerante X? é incrível – uma delícia. E o outro fica com complexos de ignorância…

Mas a defesa do consumidor, atenta a estas coisa diz: não beba o refrigerante X (o tal), porque contém um conservante que pode provocar o cancro. E lá vamos nós de lupa em punho, para o supermercado, para ler os rótulos, que trazem a composição do produto, em letra mais que miudinha, para ver se o produto que queremos comprar tem a tal substância perigosa.
E nós, no meio disto tudo sentimo-nos aturdidos. Quem tem razão?

Há organismos oficialmente vocacionados para a defesa do consumidor, mas a meu ver, na prática ficam muito longe dos objectivos para que foram criados. Assim, se um comerciante escreve numa bolsa de senhora – “pele genuína”, e não é, a defesa do consumidor levanta logo a lebre e muito bem. Mas onde está a preocupação de inspeccionar, com assiduidade as casas que fornecem alimentos?

Algumas vezes temos conhecimento de um escândalo, mas geralmente fruto de denúncia e não de um trabalho sistemático de inspecção. Ora vender produtos que afectam a saúde pública chegando, por vezes, a causar a morte é algo que devia merecer uma atenção muito rigorosa. Argumentam que o pessoal é pouco e não chega para tudo e como as verbas são escassas não podem aumentar o seu número. Mas afinal há assim tanta falta de dinheiro, quando em qualquer noticiário só se ouve falar em milhões para aqui, milhões para ali, etc. O que me parece é que, dinheiro não falta, só que não costuma estar no sítio certo, na hora certa… Ou será que ainda temos de pagar mais impostos além dos muitos que pagamos directamente e dos muito mais que pagamos indirectamente. Eu desafio qualquer cidadão deste país para me dar uma lista exaustiva dos produtos que não pagam impostos encapotados. Eu só conheço um – é a má língua.

Mas tudo isto tem muito a ver com o campo alimentar e outros bens de consumo. E do resto? Quem nos avisa das imagens indecorosas que estão dentro de uma revista, em que a capa às vezes é bonita e inócua?

Quem nos avisa das falsidades que estão nessas revistas? Nos produtos alimentares é obrigatório escrever, quando for caso disso: “corado artificialmente”. E nas revistas não se deveria usar o mesmo processo, com outras palavras, por exemplo: “faz corar «naturalmente», quem ainda tem um fundo de vergonha e respeito por si mesmo”. E no cinema é o mesmo: “para maiores de 12 anos, quando devia dizer – «impróprio para consumo»”.

Afinal estamos pouco defendidos e em matéria de comunicação, sobretudo audiovisual, comemos ou tentam fazer-nos comer, muitas vezes “gato por lebre”. Já é tempo de pensar que o mal não entra no homem pela boca, mas pelos ouvidos e pelos olhos, vai sedimentar-se na alma e aí vai forjando todos os desvarios e pior, criando uma crosta de insensibilidade que leva a não saber distinguir o bem do mal.

Se é verdade que todo o exemplo tem consequências boas ou más, os que a T.V. que tememos, ou merecemos, nos oferece são altamente nefastos e degradantes. As situações imorais que nos apresenta como cúmulos de felicidade, tem causado grandes estragos entre a juventude e não só…

O Beato Josemaría Escrivá, fundador do Opus Dei, escreve no ponto n.º 40 do seu livro Caminho: “- Fé, alegria, optimismo. – Mas não a estupidez de fechar os olhos à realidade”.

Não esperemos o aparecimento de instituições que nos defendam; defenda-se cada um a si mesmo, usando do bom senso para se esclarecer, e procure defender os outros, sobretudo ao mais próximos e dentre estes, aqueles a quem deve educar.




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