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Católicos pro-social

Religião rima com oração, mas também rima com compaixão, com irmão e com pão!

N/D
6 Ago 2004

Os Evangelhos lembram que Jesus teve pena do povo com fome (Mt 15,32) e fez e mandou fazer alguma coisa por ele. O Livro Actos dos Apóstolos narra três momentos de preocupação pelo sociológico da fé.
O primeiro foi a escolha dos diáconos (Act 6,3), o segundo foi a fome no tempo do imperador Cláudio, profetizada por Ágabo,( Act 11, 28) e o terceiro foi o conflito dos ourives (Act 19,21-41).

Os três acontecimentos, mais a coleta de Paulo em favor das igrejas carentes ( 2 Cor 9,1-15) e o discurso iluminador de Jesus em Mateus 7,21-22 e Mt 25,31-40  fazem o pano de fundo da fé cristã que tem que ser caridosa.

Jesus diz em Mt 25,31-40 que, no julgamento final, rejeitará quem não tiver ajudado o seu irmão com fome, com sede, com frio e vítima do abandono e da solidão. Religião só de “Senhor, Senhor” ou só de rubricas não tem a sua aprovação ( Mt 7,21).

Pagamento do dízimo em dia, até mesmo da tiririca e da hortelã, não substitui o dever de ajudar quem passa fome, sofre de alguma enfermidade ou precisa urgentemente de apoio. Para Jesus esse tipo de dízimo é hipócrita (Mt 23,23). Cristão que não entra nesse assunto, nem se faz presente na hora da dor do outro, trai Jesus.

As perguntas são graves, gravíssimas até:

A nossa igreja deve meter-se em política? O que podemos fazer pela fome do povo? O que podemos, nós aqui, fazer para ajudar outras regiões e, nelas, outras igrejas que passam graves necessidades? Vamos ajudar e dar emprego só aos da nossa igreja, como fazem alguns grupos de fé?

Qual deve ser a nossa atitude diante dos movimentos sociais que reivindicam melhores salários e melhores condições de trabalho? Como agiremos diante dos sem terra, dos sem tecto, de uma passeata contra a guerra, ou contra a violência? Onde ficaremos quando uma população inteira sair às ruas para festejar uma vitória no desporto, ou para chorar os seus mortos, ou ainda para protestar contra o encerramento de uma fábrica com 2.000 desempregos?

Os nossos sacerdotes têm o direito de nos aconselhar que fiquemos orando nas igrejas e não nos envolvamos?  Guiados pelos textos acima assinalados devem ou não  motivar-nos a participar com todo o povo na luta democrática e sem violência por mudanças no país e no mundo?

O Católico deve ter e dar a sua opinião contra a guerra, contra os traficantes, contra os mafiosos, contra governos opressores, contra  o país que invade outro, contra indústrias que poluem os rios, contra agro-tóxicos, contra o aborto, contra a eutanásia, contra a clonagem de pessoas, ou vamos fugir desses assuntos com o argumento de que somos pessoas de paz e não nos envolvemos nessas questões?

As últimas guerras mataram milhões de pessoas. Sabemos quantas pessoas morreram e foram estraçalhadas, algumas enquanto dormiam ou cuidavam de doentes em Nagasaki, Hiroshima, Camboja, Vietnam, Zaire, África do Sul, Angola, Iêmen, Eritreia, Irão, Iraque, Rússia, Afeganistão, Panamá, Kosovo?

Sabemos dos mais de 150 milhões de pessoas que foram massacradas, mortas, torturadas, violentadas e expulsas de suas terras no século XX?  Quem fabricou e vendeu aquelas armas? Quem quis aquelas guerras? Quantos inocentes morreram? O que fez a ONU? Que países desrespeitaram a ONU? Quem ocupou que país?   E nós não sabemos, nem queremos saber?

Se não nos preocupamos com a paz no mundo, como faremos a paz aqui? Se não nos preocupamos com a justiça aqui e não nos indignamos contra quem ateia fogo num índio que dorme num ponto de ônibus, com que direito podemos proclamar-nos pessoas de paz e seguidores do Cristo?

Leiamos aqueles textos da Bíblia e as encíclicas dos Papas. A Igreja nasceu preocupada com o direito de pregar e erguer templos. Mas também nasceu preocupada com a fome do povo, e com o direito dos sindicatos a protestar. Em algum lugar da história alguns pregadores resolveram que a preocupação com o social não era tarefa deles. Mas, se querem continuar pregadores católicos ou evangélicos, é!

Religião rima com oração, mas também rima com compaixão, com irmão e com pão!




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