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Cada vez mais do mesmo!

Decididamente, o dr. Mário Soares não perdoa. Sempre que há contratempos políticos na família, desfere sem dó nem piedade.

N/D
6 Ago 2004

O despudor a que chegou o fraseado entre ele e Paulo Portas, pelo facto da não recondução de Maria Barroso no cargo de presidente da Cruz Vermelha e a repercussão negativa que gerou, não fez o carismático socialista mudar de estilo!

A nomeação de Santana Lopes para a chefia do novo governo fez de novo estalar o verniz no ex-presidente da República. Pelos vistos, também não perdoa o facto de o referido ter desalojado o filho da liderança do executivo camarário da capital. O
dr. Mário Soares digere muito mal os contratempos políticos que afectam a família. E é um democrata. Imaginem se não fosse…

Sem, pessoalmente, nutrir grande simpatia por Santana Lopes, sou impelido a reconhecer-lhe grande mérito por ter conseguido aquilo que todos julgavam impensável: ter vencido toda a esquerda e parte da direita portuguesa, ao ter conquistado a Câmara de Lisboa. O mérito foi inteiramente pessoal.

Só este facto deveria, pelo menos, suscitar o benefício da dúvida, quanto à liderança da governação do país. Mas não. Os que se arvoram em donos da democracia e tão pouco a exercem pertendem fazer uma espécie de julgamento popular, isto é, matar à nascença o que ainda é de todo desconhecido. Entretanto, continuam a encher a boca com palavras de democracia e liberdade!

O comportamento é muito mais vasto quanto a contradições. Ainda nada se sabia quanto ao conteúdo do programa do governo, logo os “democratas” da oposição se apressaram a anunciar o voto desfavorável e umas quantas moções de censura.

O lirismo do costume, porque, há partida, todas estavam condenadas ao chumbo imposto pela base de apoio ao governo. Hilariante também, a moção de confiança com a maioria a garantir a aprovação. Ainda se houvesse um queijo limiano a tornar indecisa a votação, ficando a dúvida até ao fim, ainda vá que não vá… Assim, não são os meninos que “andam à volta da fogueira”, mas sim os nossos ditos representantes que decidiram brincar às moções!

De ânimo leve, se dirá que é apenas mais um blá, blá, blá. Porém, em concreto, é outro desfecho bem diferente. Será um balúrdio gasto em ajudas de custo, em senhas de presença e em refeições principescas a preço simbólico, nas sessões inúteis. E, andam surpresos pelo acentuar do divórcio entre eleitos e eleitores! O comportamento é cada vez mais do mesmo.




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