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Uma atitude interior

A felicidade não se conquista como um troféu. A felicidade constrói-se em cada momento que passa, através da escolha consciente de cada uma das nossas atitudes

N/D
5 Ago 2004

A felicidade não é algo de concreto que se possa obter através de circunstâncias externas a nós. Nem tão pouco depende de comportamentos, acções ou decisões daqueles que vivem à nossa volta. Não nos iludamos. A felicidade é uma atitude interior, pelo que nos cabe construir, ou não, a nossa própria felicidade.

É muito frequente afirmarmos ou ouvirmos afirmar: “Tive que proceder assim. Não tinha outra alternativa!”. Nada menos verdadeiro. Em cada circunstância da vida, agradável ou desagradável, cada pessoa tem sempre, mas sempre, duas opções.

Somos livres de escolher a atitude que vamos ter perante qualquer situação que nos obriga a reagir. E essa atitude pode ser positiva ou negativa.

Em face de acontecimentos agradáveis a atitude é invariavelmente positiva. Mas é nos acontecimentos desagradáveis que a nossa liberdade de escolha é posta à prova. É fácil e cómodo atirar para os outros e para as circunstâncias à nossa volta a responsabilidade pelos nossos problemas e “azares”.

Temos assim uma boa desculpa para ostentar a nossa infelicidade e arrancarmos alguma tolerância ou mesmo compaixão do próximo. Mas não é assim, nem tem que ser assim. E, não tenhamos dúvidas: a nossa atitude pode mudar tudo…

Perante uma situação desagradável, que pode ser um conflito, uma simples contrariedade ou algo mais grave como uma doença, podemos responder de duas formas:

1 – Deixarmo-nos envolver, ficando deprimidos ou respondendo de forma agressiva.

2 – Enfrentar o problema, transformando-o numa oportunidade de aprendizagem e crescimento.

As diferentes atitudes que adoptamos, têm a ver com a maior ou menor consciência que temos sobre a nossa responsabilidade para escolher e assim determinar as consequências da nossa escolha, o mesmo é dizer a capacidade de escolhermos ser felizes ou infelizes.

Se pensarmos bem, existem no dia-a-dia, em contexto relacional, situações suficientemente diversificadas que nos permitem treinar a nossa atitude e que servem bem para exemplificar a minha convicção.

Se nos lembrarmos de qualquer incidente desagradável ao qual tenhamos reagido mal, e se quisermos tentar um pequeno exercício de memória, regressemos ao ponto exacto em que decidimos responder negativamente – é esse ponto que faz toda a diferença.

Então, como num filme que se pode rebobinar para trás, ensaiemos uma atitude positiva para responder àquele facto desagradável. Se continuarmos a imaginar este filme, poderemos antever consequências totalmente diferentes.

E se passarmos do simples exercício mental à prática, iremos ficar talvez surpreendidos…

Quase sempre o ser humano apresenta uma tendência generalizada para se fixar no que de mais negativo lhe acontece e esquecer ou relegar para segundo plano os momentos mais felizes. Porquê? Porque não centrarmo-nos antes no que de bom acontece?

A felicidade não se conquista como um troféu. A felicidade constrói-se em cada momento que passa, através da escolha consciente de cada uma das nossas atitudes.

Aqui, não resisto a contar uma pequena história que li há algum tempo e que pela profundidade da sua mensagem, recordo e conto frequentemente.

“Um homem estava a cair numa ribanceira e agarrou-se às raízes de uma árvore. Em cima da ribanceira, havia um urso enorme que o queria devorar. O urso rugia, mostrava os dentes, babava-se de ansiedade pelo prato que tinha à sua frente. Em baixo, prontas para engoli-lo quando caísse, estavam nada mais nada menos do que seis onças tremendamente famintas.

Ele erguia a cabeça, olhava para cima e via o urso a rugir. Baixava depressa a cabeça para que ele não o engolisse. Quando o urso parecia abrandar, ouvia o urro das onças, próximas dos seus pés.

As onças em baixo queriam comê-lo e o urso em cima queria devorá-lo.

Num determinado momento, ele olhou para o lado esquerdo e viu um morango vermelho, lindo, com aquelas escamas douradas reflectindo o sol. Num esforço supremo, apoiou o corpo, sustentado apenas pela mão direita e, com a esquerda, colheu o morango. Quando o pôde ver melhor, ficou inebriado com a sua beleza.

Então, levou o morango à boca e deliciou-se com o seu sabor doce e sumarento. Foi um prazer supremo comer aquele morango tão saboroso.

Talvez me pergunte: Mas, e o urso?

Esqueça o urso e coma o morango!

E as onças?

Azar das onças, coma o morango!

Existirão sempre ursos, onças e morangos. Eles fazem parte da vida. Mas o importante é saber aproveitar o morango porque o urso e as onças não se podem aproveitar.” 1
Se em cada experiência negativa, de aparente infelicidade, soubermos identificar os sinais que nos permitem reter apenas o que contribui para o nosso crescimento, estaremos a desenvolver a capacidade de escolher – sinal de maturidade – e deste modo, a treinar a nossa atitude para a felicidade. Porque em cada momento, em qualquer lugar, existe um morango para colher!

1 In: “O sucesso é ser feliz” de Roberto Shinyashiki

Novembro de 2003




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