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Incêndios: espectáculo q.b. informativo!

Até onde teremos de ir para acordar e fazer da defesa da natureza uma causa nacional seja qual for o partido político, a facção sindical, a perspectiva ecologista ou mesmo a tendência psico-religiosa

N/D
5 Ago 2004

Os últimos dez dias de Julho foram marcados por intensas notícias de incêndios, sobretudo, em três regiões do país: Algarve (serra do Caldeirão), centro (serra da Arrábida e zona de Torres Novas) e norte (serra do Gerês e zonas de Nordeste transmontano e do Porto). Disse-se: o país está a arder!
De facto as notícias desfiaram-nos minutos infindáveis de largos, longos e profundos hectares de floresta a serem queimados. Em muitos casos via-se o desespero das populações ao serem consumidos os seus haveres (actuais e próximos futuros).

À mistura os bombeiros tentavam socorrer os dramas com os meios disponíveis (auto-tanques, agulhetas e muita ousadia) e outros importados (helicópteros, aviões e afins). Noutros casos ouviram-se as lamú-rias/acusações de autarcas e populares, sempre na tentativa – assim soavam tais impropérios – de minorar os estragos, sacudindo as culpas para outros (normalmente sem rosto ou sob o manto da suspeita) e adiando o inevitável.

Mas as reportagens – directos, declarações ou entrevistas – foram a força do ‘espectáculo’: versões houve que não sabíamos se aquilo era um relato desportivo ou um drama tão profundo que o/a jornalista corria perigo de vida ou mesmo de vir a ser despedido por menor empenho na descrição enfatizada!

Nesta perspectiva das notícias – sobretudo vistas nas televisões – também entravam certos ambientalistas mais dados a gabinete e às boas intenções (denunciadoras) do que a dar mais do que a palavra (isto é, o corpo) para combater esses incêndios: houve situações de oportunismo flagrante, como no caso da Serra da Arrábida, em que se via alguma sobranceria nas análises, causas e consequências da tragédia!

Apesar de tudo – novamente – surgiram questões a necessitar de resposta (mais prática do que discutida) mais eficiente:

* Porque é que só 27% das autarquias – 83 no total – apresentaram um projecto de prevenção dos incêndios do ano passado para este ano?

* Até onde se estenderá o lóbi em favor dos incêndios, sobretudo no aluguer de meios aéreos de combate? Como se poderá entender os custos (quase de contrato exclusivo) de um bombardeiro por 6.600 €/hora? Quem lucra, então, com os incêndios?

* Qual a função dos bombeiros em todo este meandro dos incêndios: combatentes, intervenientes ou (infelizmente) participantes mais ou menos activos?

* Será que a mutação climatérica – tão invocada novamente pelo governo da Nação – uma razoável explicação ou desculpa para esta nova vaga de ‘terra queimada’ com que, particularmente nestes dois anos, descaracterizamos o nosso país?

* Até onde teremos de ir para acordar e fazer da defesa da natureza uma causa nacional seja qual for o partido político, a facção sindical, a perspectiva ecologista ou mesmo a tendência psico-religiosa?

Por fim – e na dimensão cristã mais autenticamente evangélica – teremos de aprofundar a nossa responsabilidade ecológica, defendendo a natureza como rosto e presença de Deus…




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