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A classe política tem que merecer credibilidade

Cada vez mais é posta em causa a confiança da classe política. Não basta fazerem mil e uma promessas nas campanhas eleitorais, pois logo que ocupam lugares destacáveis transformam-se de tal maneira, que já se esqueceram dos compromissos que anunciaram.

N/D
4 Ago 2004

Dão beijos e abraços, oferecem um sem números de objectos, para a caça ao voto e, logo de seguida, acomodam-se e posicionam-se de outra forma, bem distantes dos seus eleitores! A abstenção tem sido cada vez mais elevada, nos últimos actos eleitorais; porquê?
O protesto do povo é manifestado desta forma negativa, com a ausência do voto ou anulação do mesmo, já que é a “arma” mais directa e pessoal. É mais que altura de a classe política se debruçar sobre esta contestação e actuar de forma mais directa e convincente, para que o eleitor se reconheça naqueles em quem apostou. Tem-se verificado – o que não abona a credibilidade da classe política – a constituição, nos últimos anos, de governos que nem sequer atingem os 50% de votação. […]

Convém destacar que o povo, nos seus actos, revela possuir razão. Como exemplos pouco meritórios e credíveis, destaco: em 2001/02, Guterres abandonou o governo socialista, já que perdeu completamente o controle despesista e deixou de ser acreditado pelos seus “colaboradores”… Foi gasto e desbaratado dinheiro público, dando imagem de abundância, levando, inclusive, uma enorme camada social populacional a gastar de tal maneira que muitas famílias se endividaram, o que lamentavelmente aconteceu com o país.

Na actual maioria de coligação no recente governo liderado pelo ex-primeiro ministro Durão Barroso, que tentava dar e pretender seriedade e isenção, três ministros demitiram-se (foram obrigados a fazê-lo): Isaltino Morais, ao ver-se em “bolandas” com as contas na banca suíça; Pedro Lince, da pasta do Ensino Superior e Martins da Cruz, do Ministério dos Negócios Estrangeiros, envolvidos e denunciados em favores dos seus familiares; e, ainda, um responsável do Ministério da Educação que “inventou” um cargo numa escola, para colocar uma sua familiar. Aqui, é de realçar o papel preponderante do Sindicato de Professores da Zona Centro a quem aplaudi e ainda aplaudo.

Recentemente, Durão Barroso abandonou o governo da coligação preferindo a alta roda europeia, do que assumir as suas responsabilidades e deveres, já que seria mais notável a permanência na chefia do governo.

Certamente, com tanta falta de ética, dedicação, o não assumir responsabilidades a não coerência, a não isenção e, outros valores que se levantam, a credibilidade da classe política, é questionada, é posta em causa.

Estes comportamentos atitudes e “malabarismos” não abonam nada de credível, para uma classe política algo perdida, mas que ainda tem gente séria e que merece credibilidade.

O homem de bem, ética e moralmente tem e deve sê-lo, e não parecê-lo. Tem que ser capaz de não se deixar influenciar por tentações, por rodeios, que os manipulam. É preciso ser capaz de saber até onde devemos ser ambiciosos. Os maus exemplos, nunca foram bons conselheiros, porque a verdade, felizmente em democracia, vem ao de cima.




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