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Esperança num clima de desafio e desconforto

Viver a esperança numa sociedade global de risco é o grande desafio com que se deparam hoje todos quantos encaram a vida como um projecto a realizar, como uma responsabilidade a assumir cada dia, com generosidade e entusiasmo

N/D
2 Ago 2004

Vem-se repetindo um clima de pessimismo, que nos invade até à saciedade, tornando-se, progressivamente, pouco respirável o ar de todos nós.
Nunca a vida pode satisfazer de um golpe todos os desejos e aspirações humanas. A natureza tem regras para o sucesso a que não são alheios o tempo, o esforço pessoal, a colaboração mútua, a capacidade de superar e de integrar dificuldades e falhas, pes-soais e colectivas.

A lei da natureza está marcada pela esperança que empurra para a frente, faz olhar e sonhar horizontes novos, não deixa que o negativo tenha a última palavra, nem que o fracasso seja o ponto final da fase que se vive.

Onde termina a esperança, termina a vida, porque se esfuma o sonho, se desvanece a vontade, se bloqueia a inteligência, se esvai o afecto.

Sem esperança, as coisas perdem o sentido e as pessoas o interesse.

A vida é sempre mais um desafio e um desconforto estimulante, que conquista definitiva ou aquisição de um bem-estar, sem retorno.

Quem está satisfeito e já nada deseja, procura ou espera, morreu. Quem desanima, porque pensa que já nada pode, morreu. Só a esperança é vida e estimula a viver, sem que nada a possa desfazer, quando quem a possui é determinado em não a perder, por nenhuma razão.

Dir-se-á que os tempos não convidam à esperança. Não se pode esquecer, porém, que é a esperança que comanda os dias. O tempo é sempre débil e acaba por ser vencido, perante quem, movido por uma força interior ou por um projecto assumido, não desiste de esperar.

O desconforto que nos atinge em muitas vertentes da vida pessoal e social, bem como os desafios de um mundo que ainda não controlamos, como é o da bioética, da comunicação mediática, da energia, das múltiplas culturas em cena, são um desafio à esperança que se impõe a todos nós.

Este desafio agrava-se mais, quando o mundo parece querer edificar-se à revelia dos direitos humanos, dos valores universais, do senso comum, dos interesses colectivos, das normas éticas, do património cultural próprio.

Todo o desafio exige pessoas com fibra de vencedor, sem o que deixa de ser desafio.

Na mochila de equipagem para as lutas da vida está tudo a mais se falta a esperança, que somos instados a viver, como força dinamizadora de todas as energias, conhecidas ou latentes, que habitam em nós.

Viver a esperança numa sociedade global de risco é o grande desafio com que se deparam hoje todos quantos encaram a vida como um projecto a realizar, como uma responsabilidade a assumir cada dia, com generosidade e entusiasmo. Não pode ser outra a perspectiva dos crentes.

O mundo é diferente. As pessoas de sempre têm de o assumir de modo diferente. O segredo está na esperança que perdura sem se desvanecer.




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