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A opinião dos famosos

Recentemente, interrogado ao telefone por uma jornalista sobre clonagem, células tronco, aborto de feto anencéfalo, pedi algum tempo. Iria consultar teólogos e médicos católicos, iria ler sobre o assunto em sites oficiais da Igreja e, então, opinaria. Pedi dois dias. Não mos deu.

N/D
2 Ago 2004

Pediu o nome de outro padre famoso, porque precisava da opinião da Igreja no mesmo dia. Não me lembrei na hora de nenhum padre famoso dos que estão nos media e que dominasse este assunto. Citei cinco teólogos famosos em círculos da Igreja. Ela quis outros nomes. Para ela, famoso dentro da Igreja não era o mesmo que famoso para os media. Indiquei alguns bispos cultos e famosos na Igreja e perante os media. Não sei se  ela os entrevistou.
A atitude dela fez-me reflectir mais uma vez no que tenho visto na televisão.

Confunde-se com enorme facilidade notoriedade e fama com sabedoria, estudo, preparação e conteúdo. Ao invés de perguntar a quem sabe, perguntam a quem é famoso, mesmo que não domine o assunto.

Temos então artistas, jogadores de futebol, dançarinas ou cantores a dizer o que a Dona Teresa e o sr. João que vendem pastéis na feira também já sabem e, às vezes, até sabem mais. Mas, como não ficaram famosos pela sua beleza, pela sua nudez, pela sua dança, ou por dominarem uma bola, nem por cantarem e reunirem multidões, ninguém lhes pergunta nada sobre o panorama mundial, sobre Bush e Bin Laden, casamento de gays e lésbicas, clonagem, nudez em passarela, dietas, lipo-aspiração, porte de armas, pornografia na internet, aborto de fetos sem cérebro.

Artista e cantor sabe falar, e não importa o que digam, são sempre interessantes. O médico que lecciona a matéria, às vezes não é chamado, porque não segura a audiência.

Vivemos numa democracia e todo mundo tem o direito de falar sobre qualquer assunto, mesmo que não entenda nada sobre ele. A televisão tem, pois, o direito de entrevistar quem quiser. E quem quiser falar, tem esse direito. Mas não deixa de ser estranho que muitos aceitem falar do que não leram, não estudaram e não conhecem.

São mais coerentes os que admitem que precisam de estudar melhor o assunto antes de opinar. Alguns artistas fazem isso e convencem muito mais o seu público da seriedade do seu trabalho. Não buscam publicidade a qualquer preço. Mostram mais sabedoria do que aqueles que aceitam e, ao abrir a boca, mostram que o que queriam era estar diante das câmaras. Fama e cultura nem sempre andam juntas na mesma pessoa.

Os cultos e bem informados deve-riam prestar este serviço de aparecer um pouco mais e os menos informados poderiam deixar claro que ter opinião é coisa séria. Não vale qualquer pessoa a dizer qualquer coisa. Democracia é mais do que isso. Há o dever de dizer coisa com coisa!

Sugiro aos que têm alguma fama que, perguntados sobre temas que não dominam, indiquem outras pessoas, ou peçam tempo e se informem. Errarão menos e ajudarão mais.

PS: – Aumenta cada dia mais o número de pessoas famosas que lêem muito e só opinam sobre temas que realmente conhecem. Eles sabem que a sua opinião tem peso; por isso, cuidam do que dizem e do modo de dizê-lo. Eles começam a fazer escola!




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