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Um jogo desigual

Ecuménico, dialogante,irmanado por ideais comuns, mais que um vulgar campeonato,o acontecimento Olímpico exprime subliminarmente um conjunto de ideais da grande
utopia humana

N/D
30 Jul 2004

Os Jogos Olímpicos revelam apenas uma parte do que somos. Na Grécia nascidos, como celebração de paz, nunca andaram arredados dos grandes conflitos, mesmo após o seu ressurgimento no século XIX. Foi e é praticamente impossível separar os dramas e os fossos da humanidade deste acontecimento planetário que atinge um grau de ritualidade e celebração únicos.

A imagem do facho olímpico como símbolo de paz a atravessar fronteiras, culturas e raças, encontra, nas transmissões televisivas, alguns dos momentos mais empolgantes, num hino invulgar à nobreza da condição humana.

É bom comungar deste acontecimento transcontinental que simboliza, na componente de beleza e desporto, um dos expoentes de aperfeiçoamento do espírito e do corpo. Técnica, beleza, disciplina e vigor são elementos de um todo. Ecuménico, dialogante, irmanado por ideais comuns, mais que um vulgar campeonato, o acontecimento Olímpico exprime subliminarmente um conjunto de ideais da grande utopia humana.

A revista missionária Além – Mar traz um excelente estudo sobre esta complexa sequência de Jogos, onde o simples desfile dos números deixa algumas questões oportunas à aparente inocência desta iniciativa planetária. Por exemplo: nas 24 edições da era moderna 14 aconteceram na Europa, as outras 10 na Ásia e na Oceânia.

Numa espécie de clube de ricos. Dezenas de países se têm candidatado sem sucesso.

África participou pela primeira vez em 1904 e a “força” de muitos dos seus atletas tem trazido a África vitórias surpreendentes. A ponto de alguns estudiosos afirmarem que a raça negra possui “dons genéticos superiores”.

Mas a maior parte das modalidades olímpicas pertence a um grupo restrito de países.

E por isso estamos claramente perante um jogo desigual, ainda que planetário. 3.600 atletas percorrem 78.000 quilómetros com a chama Olímpica perante os olhos de 260 milhões de pessoas.

Neste todo complexo surge, tímida, a palavra Paz. Como algo de imperfeito porque humano. Mas como desiderato oculto em cada coração. Na antiga Grécia os Jogos significavam sempre uma trégua. Pagãos de raiz – curiosamente terminaram quando foi extinto o paganismo – traziam sementes de paz e esperança.

Mesmo que, ontem como hoje, fossem rodeados de ambiguidades que questionavam toda a sua falsa divinização. É que, mesmo durante as Olimpíadas, a paz não existe por inteiro. Mesmo assim merece ser saudada.




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