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Semana das Migrações

Um dos seus mais elementares deveres é o de respeitar o outro na sua dignidade e nos seus direitos

N/D
29 Jul 2004

Desde há vários anos que a Semana das Migrações se celebra, em Portugal, no mês de Agosto, por volta do dia 13. É uma altura em que muitos dos nossos compatriotas emigrados se encontram em férias, de visita à terra-mãe. Este ano, ocorre entre os dias 9 e 15.
Como habitualmente, há uma mensagem do Papa, que para este ano tem por tema «Consolidar a Paz para não ter que emigrar».

Há a emigração voluntária e a emigração forçada. Há quem vá, mundo fora, levado pelo espírito de aventura, ou seduzido pelo desejo de ter mais e de trabalhar num ambiente de que mais gosta, ou levado pelo desejo de contactar com outras civilizações. E há também pessoas que emigram porque a isso se vêem obrigadas.

Há pessoas que são forçadas a deixar a sua terra porque nela não têm condições humanas de vida. Há-as que o fazem por causa da guerra e da violência, do terrorismo e da opressão, da discriminação e da injustiça.

Mesmo dentro do próprio país há pessoas que se vêem forçadas a deixarem o cantinho onde gostavam de continuar a viver, a empresa onde gostavam de continuar a trabalhar, a escola onde gostavam de continuar a estudar, por uma questão de má vizinhança ou por causa do mau ambiente que lhes criaram.

Reconhecendo que a emigração é um direito, regulamentável pela competente autoridade no pleno respeito pela dignidade das pessoas e das necessidades das suas famílias, o Santo Padre salienta, na sua mensagem, o direito a não emigrar, isto é, a viver em paz e dignidade na própria Pátria.

Graças a uma atenta administração local e nacional, a um comércio equitativo e a uma solidária cooperação internacional, cada País deve ser posto em condições de garantir aos próprios habitantes, além da liberdade de expressão e de movimento, a possibilidade de satisfazer necessidades fundamentais como a alimentação, a saúde, o trabalho, a habitação, a educação, cuja frustração coloca muitas pessoas em condições de ter que emigrar forçadamente.

É lamentável a existência de situações de má vizinhança e de mau ambiente a que aludi, pelo que é bom que cada um tome consciência de que um dos seus mais elementares deveres é o de respeitar o outro na sua dignidade e nos seus direitos.
Recomenda o Papa na sua mensagem que ninguém permaneça insensível às condições em que se encontram tantos imigrantes. E denuncia o tráfico praticado por exploradores sem escrúpulos que abandonam no mar, em embarcações precárias, pessoas na busca desesperada de um futuro menos incerto.

Que quem emigra seja bem acolhido. Que seja ajudado a integrar-se na nova comunidade evitando-se a formação de verdadeiros guetos com as sua indesejáveis consequências. Que não seja explorado. E que quem chega a uma terra estranha faça tudo por merecer esse bom acolhimento. Que pratique em relação a todos uma sã convivência. Que procure uma forma honesta de subsistência. Mas o ideal era que ninguém se visse em condições tais que tenha mesmo de emigrar.




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