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Mais vale prevenir…

Recordo-me de haver na televisão uma campanha de sensibilização, no Verão, que tinha como slogan «Há mar e mar; há ir e voltar». Actualmente não existe nada parecido nos nossos meios de comunicação social.

N/D
29 Jul 2004

Era o maior perigo para as pessoas, o poder morrer afogado no mar. Hoje em dia só se fala dos perigos do sol, não sei se só para aumentar as vendas dos protectores solares e dos bronzeadores.

Se observarmos as séries televisivas que passam em alguns canais de TV, mar e a praia aparecem como algo muito apetecível, com a possibilidade de todas as pessoas praticarem surf e body-board, com os seus fatos de mergulho e pranchas. Olha-se para o mar como algo inofensivo, mas será esta a verdade?

No meu ponto de vista não é esta a veracidade das coisas.

O mar, devido à sua impetuosidade e força, sempre foi olhado como algo temível, onde residiam as forças do mal que continuamente queriam conquistar a terra e destruí-la. Prova disto é, por exemplo, o primeiro capítulo do Livro do Génesis, onde Deus coloca limites à acção das águas que estão debaixo do firmamento (céu), estabelecendo as margens e colocando as águas todas num mesmo lugar.

Na própria mitologia greco-romana, o mar era o local onde habitava Neptuno, o deus dos mares que lançava tempestades para afundar os navios e prender os seres humanos.

Os portugueses, na Idade Média, foram o povo que venceu os mitos e tabus que o mar encerrava, vencendo as ondas e marés, «dando novos mundos ao mundo» como disse o poeta.

Ou seja, os mitos do mar devorador foram-se desvanecendo e deixou-se de temer o mar. Contudo ele deve ser temido, não por encerrar em si entidades mitológicas, mas porque pode tirar a vida aos mais incautos e desprevenidos.

No passado sábado, numa praia da zona de Vila do Conde, tive a infelicidade de assistir a um afogamento. Uma jovem, de cerca de 16 anos, e mais algumas amigas segundo pude ouvir, gesticulavam e gritavam a largos metros no mar.

Nós olhamos, os nadadores-salvadores cumpriam a sua nobre função de tentar
salvá-las. Conseguiram resgatar duas. Mas uma, o mar levou-a, e eu vi a última vez que veio à superfície. Foi terrível, ver um ser humano a morrer à nossa frente. Meios aéreos e marítimos a todo custo buscaram o corpo para uma reanimação, mas tudo em vão. O mar foi mais uma vez implacável.

Nesta coluna, a última antes do período de férias da maioria dos portugueses, fica o apelo de se ter muito cuidado, pois o mar é bom e belo, mas deve ser descoberto com prudência, como algo que experimentado em demasia se pode virar contra nós. Mais vale prevenir, do que remediar.




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