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Cursos e mais cursos… de Medicina

Um país que confunde religião com futebol… e traz para a rua as imagens em que não acredita, põe em questão toda a educação da Fé, como da religião popular, que celebra os santos e queima foguetes em sua honra, mas não compreendeu ainda as suas virtudes e do seu cristianismo!…

N/D
29 Jul 2004

Com a abertura de novas vagas nas universidades, alguns alunos respiraram fundo…A notícia terá tanto mais agradado quanto se abriram sobretudo os lugares para Medicina.

Por que motivo é tão procurada esta ciência, quando outras faculdades e cursos escasseiam de alunos? Nos países ricos também a Medicina está saturada. Raros são os novos que conseguem apetrechar um consultório.

Por isso os médicos recém-formados procuram especializações complementares nas técnicas mais avançadas, com recurso a novas possibilidades e processos modernos, muitos a dispensar já operações cirúrgicas, com tratamentos medicamentosos e técnicas de lazer e outras. De facto, um avanço na Ciência só poderá advir, não com a multiplicação do que é tradicional, mas com inovação e pesquisa em novos domínios.

A Fundação de Champalimaud vai despertar um novo incremento, ou permitirá apenas uma reprodução em casa, como se verifica em muitos cursos, que são cada vez menos orientados por professores mais competentes com formação internacional?

De facto, a aposta, hoje mais que nunca, terá de ser a qualidade. Porquê então a abertura de novas faculdades, se não temos ainda estruturada a qualidade necessária, sobretudo servida por bons professores de reputação e sólida qualificação também profissional?

Vejam o que se passou no Futebol. Não foi com um treinador estrangeiro que os gregos conseguiram uma vitória? E não foi com um brasileiro, que, pela primeira vez, chegámos a uma final? Eu sei que nem todos partilham dessa opinião, pois consideramo-nos sempre os melhores. Mas, pelos frutos…

Al´ém disso, porque não se permite um ensino particular nas mesmas circunstâncias do oficial? Será só para manter a qualidade, ou apenas uma certa qualidade, que interessa ao sistema, mas não serve o País, se concorrencial? Por outro lado, por que não se aposta mais no ensino particular, na formação de elites humanas e científicas, mesmo com cursos ao nível superior para a Medicina, em vez de se deixar fugir os alunos para Espanha?

Se isto permite a internacionalização, será a melhor aposta por esta via? Ou há interesse em que a senhora Medicina continue um “couto” de privilegiados e superdotados, com notas forjadas na matemática, acessível apenas a uns tantos filhos da nata portuguesa? Ser inteligente e bom na Matemática, deverá ser o único critério a abonar uma carreira na medicina? Mais que nunca esta deveria ser uma vocação como o sacerdócio. Bastará apenas o apuramento final baseado numa competência científica, por vezes discutível?

Quem vê o País e as contradições em que se labora há tantos anos, compreende a razão do nosso adiamento sucessivo como o excesso de polarização nos partidos que temos, os quais bem têm “gozado” o nosso povo… Mais grave porém é a nossa mentalidade e a falta de consciência cívica e política para perseguir novos rumos, contestar certas atitudes e decretos, como de exigir direitos do consumidor num país, onde alguns são filhos e outros enteados… Assim temos vivido a substituir a nuvem por Jânus, confiados em políticos, educadores e mentores, que sempre nos hipotecaram ou distraíram com futebol, onde até somos hábeis, mas acabamos sempre por perder no campeonato, ou de ser mal representados….

O Euro-2004 poderia ser uma mola de propulsão, se não ficássemos atados a um certo saudosismo e nacionalismo tacanho, de bandeiras e feira de vaidades, nas relvas verdejantes dos estádios que construímos. Se aí fomos capazes, porque não também no resto? Seremos mesmo um povo condenado a pensar sempre no que poderíamos, mas não somos capazes de fazer? A viver de hipóteses futuríveis e qualidades que temos, mas não mostramos?A pautar a vida pelo acidental, quando há lutas e desafios titânicos que teremos de vencer?!

Haja mais coragem e sensatez. Não sonhemos com quimeras. Sejamos realistas. Hoje é mais importante pertencer a um país pequeno, bem organizado e com bom nível científico, embora periférico, do que ser cidadão de um País grande, esgotado, onde os desafios já desapareceram, como os ideais… O bem-estar não é tudo, mas pode hipotecar-se com a generosidade dos gestos. Será esta a nossa sina de povo adiado a ver a banda a passar?!….

Portugal precisa de grande regeneração por cima. Essa só poderá resultar de homens muito lúcidos e conscientes das nossas fraquezas, mas acreditem nas nossas capacidades. Um país que confunde religião com futebol… e traz para a rua as imagens em que não acredita, põe em questão toda a educação da Fé, como da religião popular, que celebra os santos e queima foguetes em sua honra, mas não compreendeu ainda as suas virtudes e do seu cristianismo!…




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