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Carta para Vimieiro

Meu caro Presidente:Ocorre, hoje (27/07/2007), o 34.º aniversário do teu falecimento. Pelas 9.15 horas dessa fatídica segunda-feira, a última desse trágico mês de Julho de 1970. Tinhas 81 anos de idade, grande parte dos quais dedicaste, com esmero, seriedade, honradez e aprumo moral, ao serviço da Nação o teu e nosso Portugal.

N/D
27 Jul 2004

Ainda tenho na retina e na memória imagens das exéquias fúnebres soleníssimas e do cortejo, longo, quente, triunfante, até Vimieiro, terra das tuas raízes, onde quiseste vir dormir o teu derradeiro sono, num leito frio e humilde do cemitério local, onde repoisam teus restos mortais.

Foste grande e humilde mesmo no Governo, e grande te consideraram os portugueses de alma limpa que ao longo de todo esse cortejo fúnebre, te choraram e honraram com sua presença, de saudade e gratidão. A tua bandeira de valor na simplicidade quiseste-a desfraldada na escolha de campa pobre onde te recolheste! Já la estive por mais de uma vez, e pude verificar, com satisfação, o preito de homenagem saudosa de que continuas sendo objecto!

Sabes, Presidente: se houve alguém que se regozijou com a tua queda-da-cadeira, que te levaria à morte, a maioria dos portugueses sabia compreender o teu grau de exigência e seriedade no trato da “res publica”. Desde que tomaste o leme de principal responsável pelos destinos da Pátria, soubeste traçar o rumo, estudar os métodos e conduzir o barco ao melhor porto possível…

Já nos teus últimos anos as ondas eram ameaçadoras e punham, à prova a perícia do arrais… Sopraram, frotas, as ventanias de leste e o frio começou a enregelar as articulações de um tantos aventureiros que te desejavam fora para poderem eles entrar…

Depois, vieram as vicissitudes que deves também conhecer. O ano de 1975 assemelhou-se de certa forma aos tempos da primeira república, cuja desordem e anarquia estiveram na origem de te procurar para salvar a barca do naufrágio…

Mais tarde, vieram milhares e milhares de milhões da Europa, com os quais muito foi possível fazer em Portugal mas mais e melhor se pudera ter feito, se a tudo presidisse o rigor a tua economia e seriedade… Com muito menos mas quiça melhor administração, tu conseguiste insofismáveis maravilhas…!

Por isso, meu caro Presidente, eu quero recordar-te em mais um aniversário teu da partida. Sei que haverá barulhos e ruídos de uns tantos, que tentarão impedir a audição do meu brinde… Deixá-los! Eu quero ver com meus olhos, pensar com minha cabeça, sentir com meu coração…

Pelo que de muito bom legaste ao teu e meu querido Portugal, obrigado, até sempre!




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