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Voluntariado: vocação ou “profissão”?

No balanço que fazia da participação de jovens no projecto “Voluntariado jovem do Euro-2004” um responsável do IPJ/Braga realçava aquela adesão como uma possibilidade de reavivar valores como a solidariedade, a justiça, o humanismo e a hospitalidade.

N/D
26 Jul 2004

De facto, numa época tão propensa ao individualismo, à egolatria e ao economicismo, é cada vez mais importante saber distinguir a dedicação em favor dos outros… sem nada esperar em troca e, nalguns casos, mesmo em seu prejuízo mas com particular regozijo interior de altruísmo e serviço ao próximo.
No entanto, esta vertente do voluntariado exige a todos uma reflexão sobre as motivações, as acções e as consequências.

* Motivações do voluntariado – mais do que moda ou ocupação de tempos livres tem de ser olhado e vivido como atitude em prol de quem é atendido, servido ou acolhido.

Com efeito, são as pessoas – seja qual for a sua necessidade ou debilidade – que beneficiam de voluntariado que devem estar no centro das atenções e não aqueles/as que dão (muito ou pouco) do seu tempo aos outros. Aqueles não podem ser usados para enfeitar estes, por muito generosos que possam parecer aos olhos dos atendidos, acolhidos ou servidos…

* Acções de voluntariado – mais do que medalhas de beneméritos ou de pessoas à procura de emprego, estas acções revestem-se – queiramos ou não – de uma linguagem de caridade mais do que de solidariedade. Com efeito, esta esvaziar-se-á se não tiver por fundamento aquela. Ora o que os outros nos merecem por justiça não lho devemos prestar por comiseração!

* Consequências do voluntariado – mais do que actos ocasionais, as acções de voluntariado podem revelar, por parte dos participantes activos, aqueles valores supracitados e em ordem ao bem comum. Tantas vezes o voluntariado pode “esconder” ou revelar uma vocação de consagração a Deus e aos outros em Igreja.

Com efeito, há quem veja, na proliferação de propostas de voluntariado, novas formas de recrutamento vocacional. De facto, inúmeros projectos de congregações e institutos religiosos bem como de iniciativas universitárias – em tempo de Verão ou fora dele – como que fazem salientar essa sempiterna dedicação aos outros, sobretudo aos mais fracos e desfavorecidos!

Será útil e proveitoso (re)ler a Nota pastoral da Conferência Episcopal Portuguesa, “Voluntariado – porta aberta para a humanização social”, de Novembro de 2001, por forma a refontalizar as perspectivas do voluntariado de índole cristã e as suas implicações na vida hodierna… portuguesa.

O vento sopra onde quer… Importa conhecer-lhe a voz!




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