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A tranquilidade da ordem

O título supra é uma das definições de paz, em que o vocábulo “ordem” tem um sentido de causalidade, isto é, quando todas as coisas estão no seu lugar há tranquilidade e, portanto, paz.

N/D
26 Jul 2004

Falar ou escrever sobre o assunto da paz é imensamente oportuno nos dias que correm, atendendo àquilo que se passa, desde há uns anos, no Médio Oriente, sobretudo na Palestina e na velha Mesopotâmia ou Iraque.
É um verdadeiro inferno aquele que as pantalhas da televisão nos mostram quase todos os dias, com ataques e contra-ataques, explosões, mísseis contra habitações e pessoas, campos de treino de jovens para a guerra, ataques suicidas…

Este triste cenário é uma espécie de cancro da humanidade e esta tem o grave dever de estancá-lo ou será vítima do mesmo, mais tarde ou mais cedo. Refere o Concílio Vaticano II que para se chegar à paz é necessária «a criação duma autoridade pública mundial, por todos reconhecida e com poder suficiente para que fiquem garantidos a todos a segurança, o cumprimento da justiça e o respeito dos direitos.

Porém, antes que esta desejável autoridade possa ser instituída, é necessário que os supremos organismos internacionais se dediquem com toda a energia a buscar os meios mais aptos para conseguir a segurança comum» (A Igreja no Mundo Actual, n.º 82).

Para acabar com a guerra é necessário promover a defesa dos direitos das pessoas, instituições e povos, a sua liberdade, propriedade e autonomia. Tem razão a Bíblia ao afirmar que «a paz é obra da justiça» (Is 32, 7). E justiça significa que cada um tenha o que lhe pertence por direito próprio e que isso seja respeitado intransigentemente pelos outros, sob pena de ser causa de dissensões e afrontamentos.

E é nessa base que se pode construir a solidariedade, a confiança e a amizade.

Foi este o ideal apresentado pelo nosso Salvador Jesus Cristo, que saudava as pessoas com a invocação «A paz esteja convosco». E não podemos dissociar este ideal da mensagem evangélica, toda ela concentrada no amor e na paz.

Não pode haver redenção onde houver injustiça, guerra, ódio e vingança.

O citado documento do Vaticano II adverte para as armas de destruição massiva ou em série, afirmando que «são crime contra Deus e o próprio homem» e que «é necessário que se celebrem no futuro pactos sólidos e honestos, aliás, a humanidade sujeita-se a não conhecer outra paz além da horrível tranquilidade da morte» (n.º 82).

Há outra ideia que devemos ter presente na nossa vida de pessoas do século XXI e de cristãos: a paz nunca se alcança definitivamente neste mundo. É para ser construída constantemente. É como este mundo em que nos encontramos que se vai renovando hora a hora.

Aliás, depois de tantas guerras e sangue que a humanidade derramou desde Abel e Caim até aos tempos actuais, há muito que estaria construída e cimentada. Mas não.

Enquanto houver homens capazes do melhor e do pior, seres livres que arrastam as raízes dos vícios capitais ou, pelo contrário, se deixam incendiar pelas chamas do amor, tudo pode acontecer neste pobre planeta que gira incessantemente à volta de si mesmo e do astro-rei que nos ilumina e aquece, até àquele dia e hora em que surja o outro Astro que jamais se ponha e brilhe eternamente para os eleitos de Deus.




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