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O serviço dos Avós

Não devendo substituir os pais, os avós dão uma indispensável e preciosa ajuda na educação e no acompanhamento dos netos

N/D
22 Jul 2004

A importância dos avós na família tem sido uma constante ao longo dos anos. Eles têm sido sempre um precioso auxiliar dos filhos e uma presença amiga junto dos netos.

Isto é hoje particularmente notório mercê de duas circunstâncias: a existência de avós reformados mais cedo e o ritmo cada vez mais absorvente da vida dos jovens casais. E se é verdade a existência de reformados a preencherem o tempo com uma ou outra ocupação – umas vezes, remunerada; outras, em regime de voluntariado – também é verdade a existência de avós com uma disponibilidade que os casais jovens estão longe de terem.

A inegável melhoria da qualidade de vida, resultante da posse de mais bens materiais, tem como preço a excessiva ocupação das pessoas num ritmo de trabalho que cada vez mais exige delas.

O cuidado dos filhos também não deixa de trazer novas preocupações aos jovens casais. Hoje é quase impensável, em certos meios, a ida do filho, sozinho, para a escola e para a catequese. E porque a vida moderna cada vez absorve mais os pais, estes nem sempre conseguem dedicar aos filhos o tempo e as atenções necessários.

Aqui reside também, diga-se de passagem, uma das causas do decréscimo da natalidade. Há casais que muito legitimamente se interrogam: para quê termos mais filhos se os não podemos educar convenientemente?

Surge, então, a grande importância do contributo dos avós. São eles que, muitas vezes, levam os netos ao infantário, à escola, à catequese. É com eles que muitos netos passam os tempos livres. São eles que os acompanham na execução dos deveres escolares. É com eles que muitos netos aprendem a rezar.

Normalmente as férias dos pais só parcialmente coincidem com as dos filhos. E são os avós quem ajuda os netos a ocuparem os tempos livres de uma forma útil, com convívios em que transmitem as memórias e a história da família, com a organização de passeios, com visitas a monumentos e a museus, com o estímulo à leitura de obras que valham a pena…

Quer isto dizer que os avós substituem os pais?

Na prática, há casos em que assim acontece, mas não devia acontecer. Não me parece bem que os pais renunciem ao direito/dever de serem os primeiros e principais educadores dos filhos. Pede-se-lhes que saibam organizar a vida de forma a poderem, diariamente, dedicar algum tempo à família, e esta é constituída, basicamente, pelo cônjuge e pelos filhos. Ainda que ao fim do mês entre menos dinheiro em casa.

Ainda que tenham de moderar o desejo de ter e de adiar a aquisição de bens que não são de primeira necessidade. Isto talvez exija que se saibam demarcar devidamente em relação às exigências e às falsas necessidades da exploradora sociedade de consumo, que saibam gerir melhor o tempo, que resistam à tentação de compararem o seu estilo de vida com o de outros pais.

É um facto, todavia, que, não devendo substituir os pais, os avós dão uma indispensável e preciosa ajuda na educação e no acompanhamento dos netos. São pessoas que não deixam de servir a família. Começaram quando pensaram ser pais e nunca mais pararam.

Os avós servem. Servem com generosidade, com dedicação, com carinho. E não será mais que legítimo perguntar: quem serve os avós? O serviço dos avós é devidamente reconhecido pelos filhos e pelos netos?




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