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Selecção/Nação

Foi possível mexer com as pessoas. Afinal Portugal vive. Afinal Portugal vibra. Afinal Portugal até é solidário. Mas… (reconhecem – alguns – o meu “im” pertinente maszinho???) nem sempre é assim. Nem por todas as causas. Nem por todos os ideais. Nem por si próprios. E é pena!

N/D
21 Jul 2004

Outros povos terão outras forças, o nosso tem o futebol. E que o futebol é realmente uma grande força nacional, isso provou-se. Até levou as pessoas mais tímidas ou reticentes a pendurar bandeiras nacionais em tudo quanto foi sítio, possível e imaginário. E isso (a Bandeira) queria dizer qualquer coisa, não queria?… Será que toda a gente o percebeu? Saberão agora as pessoas transpor esse “dizer qualquer coisa” para fora deste evento, deste Euro, do futebol em geral? Terão elas aprendido algo com isto?…
Provou-se a nossa força com a construção de tantos estádios, contra tudo e contra todos (e não comento se foi boa ou má atitude); provou-se com a organização “organizada” (eh! eh! eh!, esta ficou gira) e atempada de um evento desta envergadura (e não preciso elogiar o brilharete que fizemos), e provou-se com a mobilização televisiva de um povo (e afinal a publicidade não serve só para vender margarinas e detergentes), com spots tão bem feitos e apelativos (ou não fosse a psicologia uma área tão vasta).

Mexeram realmente com a alma deste povo, que já foi grande, que já foi guerreiro, que já foi descobridor, que já foi emigrante… que já possuiu meio mundo, mas que por ser fisicamente pequeno, se deixou diminuir e hoje em dia sofre de baixa auto-estima.

Talvez a conquista deste título (e de que outros mais) não tenha simplesmente conseguido fugir a esse mal… já tão nosso. E os gregos não foram assim tão bons.

O importante, a nossa força, o “dizer qualquer coisa”, é que o povo acreditou, as bandeiras juntaram-se, os jogadores lutaram, e a nação tremeu. Afinal a nossa alma ancestral ainda está viva e o antigo sangue lusitano ainda pulsa nas veias dos portugueses. Portugal ainda existe! Portugal ainda tem a força de muitas vontades (e não é só no futebol), de muitos homens e mulheres, dentro e fora deste “pequeno?” pedaço de terra, mas o que falta é acreditar. O que falta é sonhar, sempre mais alto, e procurar as causas por que lutar.

Vamos deixar passar “a moda” das bandeiras ou vamos convertê-la em solidariedades múltiplas, em uniões várias de vontades fortes, para ajudar a mudar… Tudo!? Tudo o que está errado, tudo o que faz mal, tudo o que está ao nosso alcance… enfim, usar a força que afinal possuímos.

Para mim, no final e por graça, como os organizadores do Euro-2004, poderíamos ter colocado também, a par do orgulho nacional da nossa bandeira, a bandeira da Grécia, com desportivismo e o reconhecimento de que quem vence merece.

Acho que foi uma ideia bonita a das bandeiras, e o mundo surpreendeu-se com algo novo: esta era só mais uma ideia gira.




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