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Precisa-se de uma linguagem objectiva e clara

São as realidades da vida política que têm de preocupar os responsáveis da comunicação social e não interesses pessoais, partidários ou comerciais. A imprensa, em geral, não se preocupa com esta realidade que, aliás, é inerente e essencial à sua função.

N/D
21 Jul 2004

Não podem, os políticos, os endinheirados e os ocupantes de postos de responsabilidade subordinar a informação à sua visão individual. Entre nós, verifica-se uma informação que desrespeita os seus deveres fundamentais. “O Diabo” aborda este problema e fá-lo há muito. Registamos alguns títulos de artigos: “Programas estão adaptados a países do Terceiro Mundo”; “A informação da TV é feita em função das audiências”; “A informação é demasiado sensacionalista”.
Eduardo Prado Coelho afirma: «Há noticiários que exploram a vida das pessoas». E é contundente, quando afirma: «Não há uma divulgação cultural na televisão com um sentido pedagógico».

Todos sabemos que a imprensa e outros órgãos de informação se preocupam com as audiências, com a concorrência e batem-se pelo êxito neste campo, desrespeitando o objectivo fundamental da informação: a verdade, a objectividade. Assim se compreende porque muitos já se desligam dos órgãos de informação enquanto órgãos, cuja finalidade é informar devidamente de acordo com os factos registados, o tempo em que se verificam e os intervenientes.

Orlando Monteiro da Silva, bastonário da Ordem dos Médicos Dentistas, em entrevista ao semanário “O Diabo” abordou este problema. Diz: «Acho que temos bons meios em todos os canais generalistas e temos bons jornalistas, mas os conteúdos são péssimos, porque nivelam por baixo o povo português. A maioria dos programas estão adaptados a países do terceiro mundo».

Orlando Monteiro da Silva pronuncia-se ainda sobre os agentes da informação e diz: «Para mim tornou-se uma telenovela de informação». E vai mais longe. Não se fica pela crítica. Apresenta soluções: «Há necessidade de mais entrevistas, mais debates, mais reportagens e mais capacidade de não serem sempre os mesmos a entrevistar os mesmos. É uma espécie de circuito fechado que chega a ser ridículo, com pessoas de uns programas a entrevistar pessoas de outros programas. Chega a ser promíscuo».

Eduardo Prado Coelho também se pronunciou sobre a televisão portuguesa, e disse: «Se considerarmos o papel da televisão enquanto instrumento pedagógico, esse já não existe há muito tempo. O conceito “Big Bother” estende-se a toda a televisão, onde, diz o escritor, nem a informação escapa». Trouxemos aos nossos leitores a opinião de pessoas que pela sua cultura e função pública vêem com objectividade estes problemas. Muitas vezes surgem notícias que criam esperança e os que olham a sociedade em que vivemos sentem-se encorajados a viver e a trabalhar dentro da objectividade, das realidades.

Todos, hoje, sentimos que as pessoas vêem as demais de acordo com as ideias que têm do tempo e dos factos que nele se registam. É um trabalho importante e necessário, mas que implica uma formação séria e uma personalidade que se debruça sobre o tempo que vivemos e a maneira como as pessoas, mesmo os pedagogos, vêem essas realidades e assumem as responsabilidades que o tempo lhes impõe.

E uma das maiores dificuldades para o entendimento na acção é a diversidade pronunciada em inquéritos e estatísticas nos quais surgem as respostas pessoais sem o respeito às verdades fundamentais que implicam aceitação e responsabilidade.

Desde os tempo de escola, os jovens usufruem da liberdade de agir e de se pronunciar de harmonia com os seus critérios e não com os princípios que informam a vida, seja ela familiar, intelectual ou social.

Acontece, até, que se tem verificado que há pais que vão pedir aos professores benevolência para os seus filhos no plano da aplicação escolar e que não se preocupam com a informação que o professor poderia dar sobre a conduta do filho.

E isto é uma triste e grave realidade: o desinteresse pela formação moral e a preocupação pela passagem nas provas escolares. A formação dispensa-se.
Há famílias irresponsáveis, que, por vezes, erguem a voz contra os professores que desejam educar e formar pessoas.




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