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Funcionários e despesa pública

A solução para a função pública passa por seleccionar, formar, dirigir, promover, mas também penalizar, diminuir, quem no Estado está e quer estar a mais

N/D
20 Jul 2004

Segundo o Expresso, a demissionária Ministra das Finanças não consegue contar os seus empregados. Dois anos não chegaram, portanto, para uma tarefa básica.
Sendo mais de 750.000, afinal os seus subordinados não lhe respondem ao certo quantos são. Parece que não os conseguem, ou querem, contar. Quantos entraram e porquê. E aquela que queria dama de ferro ser, se calhar tinha que contratar mais um director-geral milionário. Oxalá ganhasse este à comissão, pelo número de carneiros que conseguir imaginar. Ainda corre o risco de ser mais bem pago que o Zé (1).

Isto teria alguma piada, não fora o singelo problema de ser esta fonte do nosso défice estrutural. A natureza duma despesa pública que não cessa de aumentar, e que serve na sua esmagadora maioria para pagar salários.

Dois anos depois, com um congelamento imoral, não se vislumbra saída. A classe estava e está desmotivada. Não tem objectivos nem controlo. Pelo que facilmente acede ao canto da sereia, dos sindicatos que nada mais fazem do que pedir sempre mais, sem nada dar em troca. Afinal, sabem que há sempre uma TV por perto, pronta a iluminar a marcha de mais cinquenta dirigentes sindicais até São Bento. E, como se isso representasse realmente algo de relevante para o país.

A solução para a função pública passa por seleccionar, formar, dirigir, promover, mas também penalizar, diminuir, quem no Estado está e quer estar a mais. Não passa por meter a cabeça na areia, fingindo não ver que o congelamento é uma medida excepcional e temporária.

Mas parece, até nisto, que os nossos Ministros das Finanças seguem os passos do seu mais célebre e longevo colega de sempre. Afinal quem congelou as rendas das casas durante décadas, é e continua a ser o único referencial desta classe.

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(1) José Mourinho, não confundir com Zé Povinho, genial criação de Bordalo Pinheiro, muito revisitado um século depois pelos sucessivos líderes da oposição…




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