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Que trangolomango lhe fizeram?

Refiro-me ao romance “Os Maias” de Eça de Queiroz. Creio que está a ser vítima de forte enguiço, da mais perfeita gozação ou de outra maleita qualquer. Senão, vejamos:

N/D
17 Jul 2004

Ali por Abril ou Maio, a SIC anunciou que ia exibir a obra numa série de não sei quantos episódios. Fiquei contente, já por se tratar de um assunto português, já por conhecer a relutância que os alunos do 11.º ano têm em ler aquele “calhamaço”. “Quem sabe, assim, não vão ficar curiosos e motivados para a sua leitura?”- pensei.
Telefonei ao meu neto, precisamente aluno do 11.º ano e a contas com a obra. Respondeu-me que já sabia, mas que não iria ver já que a transmissão seria à 01h30m da manhã, que a “stôra” de português já tinha comentado e criticado a hora.

Numa das últimas semanas ouvi a SIC incluir na sua programação o dito romance, marcada para as 16h30 de um tal dia. “Mas isto é um absurdo, não podem estar bons da cabeça!” – exclamei.

Neste fim de semana, porém, “Os Maias”, voltam a ser assunto da SIC: “Vejam o 1.º episódio na próxima 3.ª feira, dia 6 de Julho, à noite”. Pois muito bem, vi, mas só no fim de não sei quantas novelas, o que fez com que acabasse depois da uma da manhã. E fraquito, devo acrescentar. Não foram felizes, os Brasileiros.

Maria Monforte, não convence, o pai também não. Pedro e o velho Afonso, assim, assim. Bom, só o Abade, apesar do pequeno papel. Bem feito o jogo de sedução, no teatro. Boa música, lindíssimas paisagens na serra de Sintra e excelentes as palavras do autor com que um qualquer narrador começa. Não chegou para obra de tal importância. Nós saberíamos, se quiséssemos, fazer melhor. J

amais esquecerei a peça “Os Maias” que vi há muitos anos, no teatro D. Maria II. É que em teatro ninguém nos bate, mas a nossa gente meteu-se em novelas, optou pela imitação e pelo facilitismo e a desgraça está aí.

Não há ritmo, não sabem falar nem representar, exibem lamechices românticas, histórias de faca e alguidar sem a menor originalidade ou tradição portuguesa. Optam pelo copianço e caem na caricatura. Mas… cala-te boca, não vim aqui fazer crítica.

Apenas quis expor o insólito que a sic gerou em torno de uma das obras mais marcantes da literatura portuguesa do século XIX.




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