Fotografia:
Hipocrisia ou algo mais?

Tanto lhe podemos chamar hipocrisia como escândalo farisaico.

N/D
17 Jul 2004

O professor de um colégio público de Mocejón, perto de Toledo resolveu mostrar, na aula de Religião aos seus alunos de 13/14 anos o vídeo El grito silencioso, realizado pelo Dr. Bernard Nathanson, conhecido por «Rei do aborto», pois ele mesmo realizou mais de 75 000 abortos, tendo-o feito a um filho seu. Felizmente que o Dr. Nathanson, quando se convenceu que de facto o feto era um ser vivo, abandonou as suas práticas criminosas e tornou-se um defensor acérrimo da vida não nascida.
O referido vídeo mostra, com recurso a uma ecografia, o que sucede no útero materno durante a realização de um aborto.

Muitos pais se escandalizaram e levaram o assunto ao Conselho de Escola que por sua vez encaminhou o assunto para a Direcção Provincial de Educação. O porta voz do Partido Socialista afirmou que “os factos eram gravíssimos” e exigiu uma investigação. O Presidente da Confederação de Pais, que está contra o ensino da Religião na Escola, diz: “O Ministério tem que controlar mais os livros de texto e materiais das aulas de Religião (é caso para dizer – viva a censura). O diário El País escreve: “O vídeo antiabortista oferece imagens distorcidas e exageradas sobre a interrupção da gravidez”. E a Juventude Socialista (lá como cá), declara que a Igreja “tenta influenciar os jovens com imagens sádicas que não correspondem à realidade.

Aqui tem razão: as imagens são «distorcidas», pois são de uma ecografia e todos, com certeza já vimos uma ecografia! Quanto ao sadismo ele está lá realmente, mas não nas imagens, mas no acto em si – o aborto. Mas não será sadismo mostrar imagens de seres esque-léticos pela fome que passam, no Sudão, na Etiópia, na Guiné, etc. Ou não será sadismo ver o afundamento dos batelões super lotados de refugiados que fogem à fome e à guerra e que lutam desesperadamente por se salvar, mas a quem as forças faltam e acabam por perecer?

Ora escandalizar-se com a atitude daquele professor é, para mim, pura hipocrisia, pois que com 13/14 anos os jovens sabem hoje mais, que muitos adultos da anterior geração. A televisão, a Internet, e a rua se encarregam de os «esclarecer». Por isso a educação sexual hoje deve ser clara e explícita, atempada e a cargo dos pais – e isto é fundamental. Não é tarefa para a Escola, onde os professores não conhecem individualmente os alunos e não estão verdadeiramente preparados para essa tarefa.

É uma educação que deve ser personalizada e nunca massificada e só os pais sabem quando e como devem falar com os filhos. Os nossos jovens, bem manipulados pelas forças ditas de esquerda, apostadas em desestabilizar emocionalmente a juventude, «exigem-na» em manifestações de rua, porque, a meu ver, consideram que tais aulas vão ser uma «diversão», e onde vai imperar não a educação ou mesmo a informação, mas a estafada tecla do «sexo seguro» e do uso do «imprescindível preservativo».

Aliás, não sabem, no campo sexual, falar de mais nada. Continência? – coisa do passado; amor com compromisso? – não está na moda; fidelidade? – palavra sem sentido, etc.

É também pura hipocrisia dizer que as imagens do vídeo traumatizam os (as) adolescentes. Não será verdade, mas se fosse era muito bom para evitar que mais tarde ou mais cedo não venham a cair no assassinato dos próprios filhos. Também alegam que o vídeo lhes tira a «inocência!!!», quando em Espanha, onde este facto ocorreu, a idade permitida para ter relações sexuais é aos 12 anos (!) e onde por ano há milhares de abortos praticados por adolescentes.

O que faz falar os pais e as autoridades é o embaraço que causa ter de explicar qual o direito invocado para matar seres indefesos e inocentes. Mais vale para eles manter os «tabus» sobre o sexo e continuar a dizer aos «esclarecidos» adolescentes sobre a matéria que os meninos vêm de Paris ou no bico da cegonha…




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