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Outro ponto de vista…

Que democratas nos saíram! Se temos opinião concordante, tudo está bem. Se quem decide, decide de forma legítima, mas diversa da opinião dos pseudo-sábios, cai o Carmo e a Trindade

N/D
16 Jul 2004

O desfecho previsível da virtual crise política causada pelo convite dirigido a Durão Barroso para presidente do Conselho Europeu, permitiu-nos perceber o conceito de democracia de alguns sábios deste nosso País.

Reconheço que fiquei prostrado com o nível de intervenções que se seguiram ao anúncio da posição do Senhor Presidente da República.

Como exemplo ilustrativo do sentir e viver democrático de alguns, utilizo a prestação da deputada europeia, julgo que profissionalmente diplomata de carreira, que de forma absolutamente inqualificável permitiu-se fazer considerandos que na minha perspectiva insultam não só o Presidente da República, como também e sobretudo a vontade expressa da maioria dos portugueses.

O adágio popular do quebrar do verniz aplica-se ao sucedido.

A minha inquietação, contudo, permanece.

Como foi possível a pessoa em causa ter tido uma carreira na área da diplomacia? Só mesmo se a nossa orientação diplomática fosse musculada, que não creio! Ou, ainda, por mero engano ou com recurso a amizades o que também não creio, pois senão estaríamos perante o tráfico de influências.

Inclino-me mais para um engano…

Agora, o que não podemos permitir, à luz das regras da própria democracia, é que quando alguém com legitimidade decide de forma contrária aos nossos interesses ou pretensões, se proceda da forma deselegante como aquela a que tivemos infelizmente oportunidade de assistir.

Mas como devemos ter uma postura pedagógica, indutora mesmo de novas práticas, desafiamos os novos responsáveis pelo Palácio das Necessidades a estarem mais atentos e rigorosos nos processos de selecção e recrutamento dos novos diplomatas.

Se calhar, não seria de todo desa-conselhável uma rigorosa avaliação psicológica para despiste de alguns comportamentos eventualmente desviantes.

Mais ainda, a perplexidade causada pela ausência de uma tomada de posição firme e substancial por parte do maior partido da oposição.

A reacção? Nenhuma. Apenas o anúncio da demissão de Ferro Rodrigues.

Que democratas nos saíram! Se temos opinião concordante, tudo está bem. Se quem decide, decide de forma legítima, mas diversa da opinião dos pseudo-sábios, cai o Carmo e a Trindade.

Noção única do pensar democrático, se calhar, resquícios de uma formação tendencialmente totalitária.

O tempo é hoje um novo tempo. De tolerância, de autenticidade, de vontade de fazer mais e melhor…




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