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795. Meu caro Leitor:

Vamos fechar para férias e balanço. E até Setembro, se Deus quiser. Férias, mormente para quem a nossa presença semanal, aqui, e vai para vinte anos, é um escolho e desejam, ardentemente, ver-nos pelas costas; e balanço para quem estes Postais são a vez e a voz dos que não têm voz nem vez e […]

N/D
14 Jul 2004

Vamos fechar para férias e balanço. E até Setembro, se Deus quiser. Férias, mormente para quem a nossa presença semanal, aqui, e vai para vinte anos, é um escolho e desejam, ardentemente, ver-nos pelas costas; e balanço para quem estes Postais são a vez e a voz dos que não têm voz nem vez e alertam contra os atropelos e agressões dos que cuidam ter o rei na barriga e se intitulam donos e senhores do mundo e, como tal, com direito a humilhar, explorar e ofender os mais desprotegidos!
Depois, quem escreve, sejam suculentos nacos de poesia ou prosa, sejam simples arrazoados, tem necessidade de parar para pensar e decidir. Como se diz, para carregar baterias. E nada melhor do que umas férias – o tempo bonançoso e bom de enfunar velas, largar amarras, fazer-se ao largo, desafiar lonjuras!

Também o país desacelera, entra, como animal de hibernação, em letargia profunda pelas praias, festas e romarias. Obviamente, num dolce farniente próprio de quem não tem problemas ou os ignora, pura e simplesmente. Somos assim porque nascemos assim e nos fizeram assim!

Mas, caro Leitor, as coisas são como são e nós temos culpa de que elas assim sejam.

Por exemplo, que fazemos nós para que a vida política emirja do atoleiro em que mergulhou? Ou para inverter o sentido da descrença, da cultura da indiferença, do espírito miserabilista em nós latente?

É claro que certos políticos nunca mais aprendem que fazer política não é fazer trapézio num circo mesmo de cordeiros que não o circo da vida! Políticos que por aí pululam quais abutres sanguinolentos e que se servem dos cargos que ocupam (eleitos, nomeados, apadrinhados) para exorcizar fantasmas próprios, subir na vida, fazer fortuna!

E é vê-los em clubes da conversa fiada ou na praça pública, pendurados em longos e fumegantes charutos ou afogados em copos abundantes de uísque, exibindo vaidades, piando conceitos de lana caprina e dando azo ao seu porte pseudo-rabino de fim-de-semana, embrulhados em celofane de marialvismo, retórica e futebol!

Eles não passam, caro Leitor, de abencerragens da conversa da treta, da futilidade e da demagogia, que praticam por devoção a causas há muito perdidas ou renegadas. Eles, tristemente, são os pseudo-intelectuais da lagosta suada e do champanhe francês com pruridos de esquerda!

Este povo nunca mais tem juízo! Nunca mais aprende que é hora de limpar o terreiro dessas ervas daninhas e dar o salto que tire o país da tristeza e pessimismo em que se encontra por obra e graça desta baixa política caseira!

E daqueloutros que servem Bruxelas. Dos eurocratas de Bruxelas que destroem a nossa identidade, a nossa idiossincrasia, as nossas raízes. Imbuídos de ideais macabros de civilização e globalização, estes tecnocratas tentam por todos os meios diluir ou apagar aquilo que nos identifica, que é a nossa ancestral cultura, a nossa alma!

Já não bastando os ataques que têm desferido sobre a nossa agricultura, pescas e têxteis, ainda tentam ir mais longe e penetram naquilo que herdamos dos nossos avoengos e foi fazendo a nossa forma de ser e estar. Inclusive, impondo a moeda única que de única só tem a cor do papel ou o som do metal!

Imagine o caro Leitor que, há tempos, Bruxelas decretou a proibição de, nos restaurantes da Comunidade, se utilizarem colheres de pau para confeccionar os alimentos, assim como a comercialização de vinho, directamente, da pipa ou do barril!

Ora, isto não é mais do que uma ditadura aos nossos ancestrais usos e costumes. Estamos mesmo a ver que, por este caminho, qualquer dia, será decretada a proibição de comer à mão uma boa coxa de frango ou uma gostosa mariscada! E, porque não também a confecção de umas fêveras ou uma sardinhada na brasa?

Estes senhores de Bruxelas o que não têm é que fazer e, assim, dedicam-se a discutir o sexo dos anjos, que é como quem diz, coisas sem importância e significado!

Decididamente, constroem uma Europa pior do que a que tínhamos!

O que eles deviam era preocupar-se com mais justiça social, mais saúde, melhor distribuição da riqueza, mais segurança e trabalho. Isto é, com uma Europa mais dos cidadãos e menos da demagogia e do paleio! Uma Europa à medida dos cidadãos e não dos cifrões!

No entanto, caro leitor, vamos para férias e, como diria o Francisquinho, não ficámos com a taça do Euro-2004, mas ficamos com dez estádios que os políticos vão ter de pôr a render!

Boas férias e até Setembro, se Deus quiser!




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