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De médico e louco…

Sobre o Parlamento Europeu, alguns têm uma ideia vaga, muitos sabem pouco, a maioria ignora tudo. Alguém explicou?

N/D
13 Jul 2004

1 Euro2004

Braga, centro da cidade. Várias varredoras de rua, no final do trabalho, juntam-se para a cavaqueira.

– Que desgraça, mulheres, aquilo ontem!

– Ora, desgraça não digo, mas a culpa foi deles que são uns tolos e uns burros.

– Não foi nada! Eles jogaram melhor. A culpa foi do ladrão do árbitro, que estava feito com os outros e se fartou de roubar.

– E o burro do treinador, porque meteu o Pauleta? Não jogou nada, só fez asneiras e ainda nos deu azar.

– E aquele mocinho novo, que tem jogado tão bem e ontem só fez burrices?

– Ora, que queres, mulher? Quem se mete com canalha…

Pois eu, que percebo tanto de futebol como elas, não vi nenhuma desgraça no Euro-2004, antes um espectáculo fabuloso de patriotismo e união nacional. Os nossos jogadores são óptimos e jogaram muito bem, com horas mais felizes que outras.

Perderam, porque no jogo sempre um perde para que outro ganhe. Nem sempre o melhor, como no caso presente. Deixá-lo, não nos tiram mérito. Os Gregos, inconscientemente, prestaram uma homenagem à grande poeta Sophia, eterna apaixonada pela civilização helénica.

2. A Europa de Barroso

Toda a gente opina sobre o assunto. Já irrita tanto dito e contra-dito, tanto palpite, suposição e especulação.

O que eu penso desta saída do Primeiro-ministro? Pois alguma coisa será.

Acho que o Dr. Durão Barroso devia ter agradecido o convite aos Trutas Europeus – só o convite já prestigia Portugal – e não ter aceitado. Queremos compreender a ambição pelo Poder, pelo Dinheiro, pelo Prestígio, tentações a que poucos resistem, mas é difícil. Pensamos que antes de tudo está o compromisso com os Portugueses, a responsabilidade e o cumprimento de um Poder anteriormente aceite.

É que, de outro modo, poderemos ser levados a pensar que se aparecer alguém que dê “mais qualquer coisinha”, aí vai o senhor atrás, deixando a Europa a ver navios. Isso de reunir uns quantos (uns cem ou cento e poucos, não?) e tirar de lá um qualquer, sem querer saber da opinião do povo, nem sequer de todos os parceiros sociais, também não parece democrático. Além do mais, esse, já com compromisso assumido, também lhe foge e o desrespeita. Enfim, a ver vamos no que param as moedas.

3. Eleições Europeias

Quando oiço governo, oposição, militantes ou simpatizantes deste ou daquele partido tirarem ilações da grande abstenção dá-me vontade de rir.

As campanhas eleitorais vêm sendo um desastre. Os políticos perderam a educação, o bom-senso e a serenidade, se é que alguma vez tudo isto possuíram, e entraram nas afrontas, nos insultos, na luta desenfreada pelo poder a todo o custo.

A nenhum interessa o que as pessoas sabem, o que conhecem, o que pensam. Sobre o Parlamento Europeu, alguns têm uma ideia vaga, muitos sabem pouco, a maioria ignora tudo. Alguém explicou? Alguém teve a serenidade de elucidar, em linguagem simples e clara, o quanto toda esta engrenagem nos convém e nos interessa pertencer-lhe? Ninguém. Só gritos, acusações, mentiras, barulho e confusão.

Assim, conhecedores disto e cansados do trabalho duro e mal pago, foram felizes, passear, sem pesos de consciência, porque ignorantes dos seus deveres cívicos.

Acho, portanto, que a única conclusão acertada a tirar da enorme abstenção nas eleições europeias, terá de passar pela alteração da política das campanhas eleitorais.

Até lá, governo e oposição devem meter a mão na consciência: todos são culpados.




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