Fotografia:
Saber gerir sucessos alheios

É notório na nossa vida pública – seja política, social, profissional/empresarial, desportiva ou mesmo eclesial – que se torna um tanto difícil saber gerir os sucessos/conquistas/bons desempenhos dos outros.

N/D
12 Jul 2004

Por vezes parecem mais digeríveis os insucessos, revezes e derrotas dos outros. “Com essas podemos nós bem” – diz o povo na sua sabedoria.

Com efeito, agora que passou o Campeonato Europeu de Futebol – e apesar da meia vitória que foi a nossa derrota na final – surgem vozes agoirentas que bem gostariam – pelo menos a perceber por certas reacções enfadadas – que algo tivesse corrido pior: a segurança foi considerada adequada, quase não houve distúrbios, os gastos nos estádios “terão sido cobertos” pelos lucros da maior parte dos jogos, a assistência hospitalar não foi tão dramática como se temia – pelo menos com as greves anunciadas! – as convulsões sociais (sindicais e afins) tiveram menos repercussão do que se preconizava… E à mistura houve até a designação do primeiro-ministro português para Presidente da Comissão Europeia. Este facto da tertúlia político-partidária andou ofuscado pelos sucessos futebolísticos… Notaram-se mesmo certos tiques bafientos dessa visceral incapacidade de ver nas vitórias dos adversários (sobretudo no contexto nacional) alguma promoção de patriotismo… verdadeiro!

Diante deste complexo de reacções (mais emotivas do que racionais) como que sentimos necessidade de reflectir sobre as possíveis causas deste fenómeno “colectivo”:

* será defeito de educação vermos primeiro os defeitos e só a muito custo (secundariamente) o que correu bem?;

* como interpretar este feitio

em valorizar, sobretudo, o que é estrangeiro em detrimento do que
é nacional?;

* até onde irá a nossa (in)capacidade de saber lidar com ressentimentos ideológicos de tantos (ditos) políticos?

Talvez assim se compreenda o ditado: “pior do que a dor de cabeça… só a dor de cotovelo”!




Notícias relacionadas


Scroll Up