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Momento político

A promoção é uma honra; a fuga é uma cobardia

N/D
12 Jul 2004

Não é famoso nem divertido o momento político que se vive em Portugal.

Não tanto por o Primeiro-ministro, Durão Barroso, deixar o governo e ir ocupar o lugar de Presidente da Comissão Europeia, mas, sobretudo, por causa da versatilidade e da falta de coerência dos diversos quadros políticos que costumam vir às televisões proferir as dissertações da praxe.

Há tanta falta de transparência e de hipocrisia que cada vez o público se afasta mais da política.

No ordenamento político nacional existem quatro espécie de eleições, cada uma com objectivos e tempos precisos.

Contudo, aquando estas últimas europeias, políticos houve que afirmaram, à boca cheia, que elas seriam para avaliar o comportamento do governo.

E obliterou-se de tal maneira o problema europeu, que os eleitores votaram às escuras, ignorando completamente a posição que os deputados vão tomar no hemiciclo europeu.

Foi uma boa ajuda dada pelos nossos políticos para aumentar ainda mais o já grandioso número de abstencionistas.

Há necessidade de definir posições.

Se as eleições europeias interessam, realizem-se sem sofismas; se não interessam, acabem com elas.

O prazo para a realização das eleições legislativas é de quatro anos.

Se acham que é tempo demasiado, encurtem-no para dois; se não acham, respeitem-no.

O aproveitamento do tempo de umas eleições para discutir, exclusivamente, problemas de outras é um atropelo à Constituição Portuguesa e uma falta de respeito pelos votantes.

– A propósito da ida do Primeiro-ministro para a Europa, confundiu-se “fuga” com
promoção.

A promoção é uma honra; a fuga é uma cobardia.

Quando o Papa falecer, se o senhor Cardeal-Patriarca de Lisboa for escolhido e eleito Papa, não me venham dizer que essa nobilitante honra é uma fuga ao Patriarcado.

Melhor iriam estas pessoas se recorressem ao patriotismo e declarassem que o homem português – seja qual for o seu partido – tem nível e categoria, como qualquer outro cidadão europeu, para presidir aos destinos da Europa.

– Outro ponto controverso relacionou-se com a substituição do Primeiro-ministro no governo. A confusão foi tanta e tão partidariamente invocada que até a Constituição sofreu tratos de polé.

Chegou-se ao exagero de se afirmar que a eleição legislativa era uma escolha pessoal.
Como que o homem portu-guês não soubesse debaixo de que sinal fez a respectiva cruzinha!…

Por isso, senhores políticos, definam-se.

Querem que nas eleições legislativas se vote em pessoas, emendem a Constituição; querem que se vote em partidos, reconheçam a estes o direito de escolher a pessoa a indicar para Primeiro-ministro.

O costume do líder do partido ser o chefe da campanha eleitoral e depois proposto para Primeiro-ministro é uma coincidência inevitável, em situações normais; todavia, em caso algum, pode contrariar o dispositivo constitucional.

Julgo que estes senhores deputados devem saber que foram escolhidos pelo povo, não pela fluência do verbo pessoal ou pelo brilhantismo de raciocínio intelectual, mas, pura e simplesmente, porque inseridos em listas partidárias.

As posições acima indicadas não devem ser ocasionais mas, sim, válidas para todos os governos e para todos os partidos.




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