Fotografia:
Arrumadas as botas…

O essencial é que a classe política saiba, neste complexo momento, representar o povo que a elegeu

N/D
11 Jul 2004

Terminada a viagem ao nosso fantástico de harmonia empolgada, com total cumplicidade de velhos, adultos e crianças, sob o impulso de um pretérito quase perfeito, caímos, de rompante, no quotidiano real, com uma complexidade invulgar de novas questões de carácter puramente político, mas com largos reflexos na vida de todos os portugueses.
A primeira característica da nova situação é estar distante do povo. A crise foi gerada nos gabinetes privados dos altos palácios da Europa e da Lusitânia. O povo foi seguindo à distância os justificativos de aquém e além fronteiras e, possivelmente, ainda não teve sossego para digerir o conjunto de consequências, positivas e negativas, que decorrem do novo cenário.

Uma coisa é certa: o povo é sempre o bombo da festa onde dançam outros bobos. Umas vezes é considerado herói, requinte de inteligência, intuição felina para enxergar à distância os seus aliados e aqueles que lhe armam ciladas. Para muitos, as eleições são o acto supremo de justiça última e de reconhecimento final dessa soberania, acumulada de história e de saber, para lá de todas as discursatas e exaltações que só a política conhece. Outras vezes é considerado simplesmente inculto, frequentador de tertúlias menores, adepto de romarias e devoções subdesenvolvidas, campeão de fandango e corridinho… que nunca acerta no próprio destino.

O que agora se passa na arena política tem um observador aparentemente alheio aos jogos palacianos. Saberá dizer, no momento certo, o que lhe agrada e decepciona destes factos surpreendentes que ainda se não sabe quanto trazem de vitória ou derrota.

Mas o essencial é que a classe política saiba, neste complexo momento, representar o povo que a elegeu e que, nas lutas que vai travar, consiga fugir à pecaminosa tentação de olhar primeiro os interesses particulares e só depois o bem da comunidade. Qualquer confusão nesta matéria terá consequências gravíssimas para o povo. Mas não menores para os políticos que o tentem enganar.




Notícias relacionadas


Scroll Up