Fotografia:
Um tubarão a quem chamaram “cherne”

Pois é assim que funciona a Europa – O até agora 1.º ministro português dr. Durão Barroso, que provavelmente perderia qualquer eleição directa para simples presidente de junta que neste momento disputasse em Portugal, acaba de ser nomeado… presidente da Comissão Europeia!

N/D
10 Jul 2004

1 – Pois é assim que funciona a Europa – O até agora 1.º ministro português dr. Durão Barroso, que provavelmente perderia qualquer eleição directa para simples presidente de junta que neste momento disputasse em Portugal, acaba de ser nomeado… presidente da Comissão Europeia!

E foi nomeado com a “unanimidade” (obviamente cozinhadíssima) dos 25 chefes de governo dos países que a compõem… Sobre este ponto, basta pensar na “sinceridade” do voto de Chirac, Schroeder ou Zapatero. Daqui se depreende que os povos não são ouvidos nem achados para nada. Que a gente não manda mesmo nada… Bem fizeram, pelos vistos, os 60% de europeus que não se deram sequer ao trabalho de votar nas eleições europeias de há 20 dias atrás. É que, se já não é fácil a um português comum fazer-se ouvir em Lisboa, a um inglês em Londres ou a um italiano em Roma, como é que as suas vozes chegarão à esfíngica e distante Bruxelas, rodeada por mil redes de arame farpado electrificado?

2 – Um político anti-europeu e pro-americano – Qualquer pessoa com a 4.ª classe saberá que não se pode construir seriamente qualquer Europa contra o eixo França-Alemanha-Rússia. E que esse eixo é quase por definição a própria Europa. A Espanha? Será sempre europeia, mas periférica. A Itália? Anda demasiado carcomida pelas “Cosas Nostras”, por mais respeitáveis que estas sejam. A Inglaterra? Desde a morte da imperatriz Victória, em 1901, que se transformou num “animal farm” orwelliano, que só obedece ao aguilhão dos hebreus de City, quando não ao dos de Paris ou Manhattan.

Grande conhecedor da Diplomacia, o dr. Barroso tem vindo a escolher pois, o cavalo errado. E demonstrou-o bem aquando do injusto ataque e conquista do Iraque pelos americanos, em 2003. Agressão internacional essa, que ele apoiou enfaticamente, ao lado dum hesitante Berlusconi e dum Blair canino e de plástico. Dando assim o exemplo de provocação e indisciplina a uma hoste de pequenas nações leste-europeias que acabavam de trocar o jugo do Marxismo pelo do Liberalismo.

3 – Savimbi, Timor e Maastricht – Aqueles 3 ou 4 leitores fiéis que têm acompanhado as minhas crónicas com a devida atenção (fosse no Jornal de Notícias até 2001 ou neste glorioso Diário do Minho, desde 1998) lembrar-se-ão de que fui eu um dos primeiros a chamar a atenção para a ambição desmedida; para a capacidade pessoal e de intriga; e infelizmente também, para as más opções do político José Manuel Durão Barroso. A sua rápida ascensão (que para os portugueses passou de início quase despercebida e depois se foi tornando “natural”) pareceu-me sempre contrastar com o seu aspecto pouco simpático de homem do Médio Oriente (sumério, talvez) com algumas gotas de sangue germânico, ou guarani, ou o que quer que fosse… Para mais é um político que não disfarça uma certa soberba, nascida provavelmente do conhecimento da força dos apoios secretos de que dispõe; e da certeza que tem das fraquezas dos seus rivais, obtida eventualmente pelos seus “aparatchiks” dentro dos serviços de informações. As más-línguas diriam, a propósito, que não nos devemos esquecer de que estamos a falar de membros do “partido que matou o pai”, ou que ao menos silenciou a sua morte…

A meu ver, contudo, os pontos mais criticáveis do passado de Durão como governante, foram os seguintes. Primeiro, o ter atrelado a política externa portuguesa ao seu ódio pessoal a Savimbi (perseguindo-o por 12 anos, até à morte). Segundo, o ter assinado com J. D. Pinheiro, Cavaco Silva e Mário Soares, o tratado de Maastricht, em 92, sem obter as devidas garantias de independência para o agora pequeno Portugal. E terceiro, precisamente para disfarçar esta indesmentível perda de soberania, o ter ido repescar a questão de Timor-Leste, antagonizando assim uma potência muçulmana com 180 milhões de habitantes, só para que os portugueses fosse dada a sensação de que ainda eram uma “potência colonial”. E os portugueses morderam o isco, esquecendo-se de que os “direitos humanos” que lhes interessava defender eram antes os das populações esfomeadas e perseguidas daquela metade de Angola que se sentia representada pela Unita, o partido do dr. Savimbi.

4 – Os meus saudosos tempos de Lisboa – Não sei se aqueles 3 ou 4 leitores fiéis de que atrás falei, alguma vez repararam que de repente, há mais de 1 ano, eu passei a limitar bastante as minhas sempre ácidas críticas ao dr. Barroso. É que foi por essa altura que eu percebi que aquele político “neo-pombalino” era, ao que parece, parente de sangue, afastado, de uma tia-avó minha (por afinidade), a distinta senhora D.ª Maria Emília Saraiva de Aguiar, casada que foi com o Eng.º José Ferreira da Silva, antigo director da Fábrica de Louça de Sacavém e procurador à antiga Câmara Corporativa.

O que eu não poderia contar daqueles saudosos anos em Lisboa, quando comecei o curso de Direito!… No que se refere àquela senhora, sempre tão amiga, recordo que fui jantar a casa dela, para os altos do parque Eduardo VII, várias vezes. E em duas delas fui de carro na companhia da minha querida colega e amiga (que não mais tornei a ver, a vida é assim…) dra. Rita Amaral Cabral, que morava para as Picoas e que hoje é tão chegada ao dr. Marcelo R. de Sousa, então nosso assistente de Economia. A Rita tratava-me por “António” (é o meu 2.º nome). Já a tia, que lembrava fisicamente o Nicolau Breyner, pertencia aos mesmos Saraivas da avó do dr. Durão, a qual casou no Brasil com o sr. Barroso (distinto monárquico de Veiga de Lila, Valpaços), o qual fugiu para lá depois da implantação da República.

5 – O problema da Turquia – Ao lado de Solana (que bombardeou Belgrado), Durão Barroso (que apoiou a conquista do Iraque) irá por certo dar um tom demasiado pro-americano e pro-judeu à liderança europeia. Temo mesmo que ele possa propor a impossível entrada da Turquia na Europa. Sendo a Turquia um estado asiático, muçulmano, para além de placa giratória do tráfico de Droga, e tradicional inimigo mortal de gregos, russos e eslavos, tal posição significaria o enterro político de Barroso. Muito mais grave que ter desertado do governo (quase como Guterres) e que ter agora “dado uma tanga” a cada português…




Notícias relacionadas


Scroll Up