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A Escola e a Família

Num artigo publicado na revista Educação and Urban Saciety (1991, 117-118), F. Brow afirma: “A competição entre as escolas privadas e as públicas fará com que apenas um pequeno número de escolas melhore os seus serviços. E tal e qual como noutras áreas da sociedade, a escolha das escolas resultará numa crescente estratificação social e não numa maior igualdade entre as classes e as raças. O modelo da livre empresa não se aplica aos serviços públicos e às instituições não lucrativas”.

N/D
10 Jul 2004

Por isso, Charles Willie e Don Davis, numa atitude menos radical e apontando os efeitos perversos de uma escolha sem restrições, consideram que há grandes benefícios numa escolha controlada das escolas pelas famílias. Defendem que a livre escolha das escolas pelas famílias não deve pôr em causa a igualdade de oportunidades.

Assim, advogam ainda que as escolas públicas devem reservar uma percentagem de lugares para alunos cultural e economicamente desfavorecidos, de forma a evitar que só os discentes mais ricos tenham acesso às escolas públicas de qualidade.

A livre escolha das escolas limitar-se-ia, segundo estes autores, apenas à rede pública considerando não socialmente justo o financiamento estatal , através do “cheque-educação”, de escolas privadas com fins lucrativos.

Da mesma forma, afirmam eles, assim como o Estado não financia, por norma, as outras empresas privadas, também não deve financiar instituições escolares privadas de tipo lucrativo.

Charles Willie (1991, 205, vol. 23, n.º 2), num artigo publicado na revista Education and Urban Society , caracteriza da seguinte forma a escolha controlada das escolas pelas famílias: “…inclui tanto a livre escolha como o controlo, ao reconhecer que quer o controlo total quer a livre escolha sem limites são prejudiciais, visto que o primeiro é opressivo e a segunda insensível; garante a diversidade social dos alunos em todas as escolas, ao permitir um acesso proporcional de todos os grupos populacionais, de acordo com o sistema de cotas; conduz a uma melhoria da escola através da escolha; defende a autonomia do estabelecimento escolar ao encorajar a direcção e os professores a conceberem planos para transformar a escola num local mais atractivo; contribui para a igualdade de oportunidades ao tornar todas as escolas de uma área acessíveis a todos os alunos, independentemente da raça ou status sócio-económico”.

A escolha controlada das escolas pelas famílias, segundo tais autores, introduz, no sistema a necessária competitividade para que ele se renove sob pressão dos consumidores e permite também assegurar a igualdade de oportunidades educacionais a todos os grupos populacionais, independentemente da raça, da cultura e do estado sócio-económico.
(Continua nos próximos números)




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