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Escola: abertura ou colapso?

Não se terá concedido demasiados direitos aos alunos em detrimento da função do professor? Qual o papel dos pais no acompanhamento da educação?

N/D
9 Jul 2004

Há quem pense que a formação e o bem-estar de um povo caiu do céu, o que seria grande ingenuidade. Também não se consegue com subsídios, por mais que eles sejam… Cada um e cada povo tem de ser agente da sua própria transformação e bem-estar.
A base, porém, do bem-estar de um povo está na qualidade da sua escola. Uma escola boa torna-se no futuro uma oficina óptima, tanto mais aperfeiçoada e inovadora, quanto a estabilidade cultural for base dos seus alicerces.

Mas esta boa escola começa com uma boa competência linguística bem desenvolvida, capaz de abrir novos horizontes, ensinando a estruturar o pensamento em todos os domínios, fornecendo sobretudo substância de conhecimentos e formas de os praticar e exercer na vida, aplicando-os em novas situações.

Por isso, uma escola que privilegia futebol, exibições desportivas, não cumpre o seu dever nem o seu papel… Para isso, há outros meios e lugares. Mesmo as artes, a estética como a música, também são importantes nos primeiros anos, mas a escola deverá sobretudo criar hábitos de leitura, reflexão, apreensão e compreensão do homem e do mundo, levando mesmo os alunos às empresas e ao trabalho, possibilitando uma intercomunicação e complemento do ensino.

Assim estão estruturadas as escolas nos países mais desenvolvidos da Europa e os novos dez, nesse domínio, incluindo as ciências e as técnicas, parecem estar mais avançados do que nós! Porquê? Pelas muitas experiências erradas, técnicas de “aviário”, incompetência de “professores charlatães e turbo-professores”, reformas…
com falta de objectivos claros, facilitismo e desmotivação que se instalou, tanto nos professores como nos alunos. Uma escola assim é um fracasso e fonte de empobrecimento futuro. Resultado: 50 por cento dos alunos abandona a escola, o que constitui uma “tragédia” nacional, provocando o caos e frustração no futuro, num mundo cada vez mais exigente de qualidade a todos os níveis.

No entanto, serão culpados apenas os alunos? Não creio. Por outro lado, qual o perfil de professor que se apresenta? Não se terá concedido demasiados direitos aos alunos em detrimento da função do professor? Qual o papel dos pais no acompanhamento da educação? Para os que não os têm, ou não podem ser acompanhados, nos deveres escolares, não deveríamos encontrar outra solução? Limitar-se a criticar apenas os professores será a melhor atitude?!

A escola deve ser compreendida pelo Estado como a instituição do futuro, que cria competência, formação e força para vencer e combater até as injustiças sociais… Mas será com os facilitismos que se têm vivido, levando as raparigas a serem as melhores e mais classificadas, ao ponto de invadirem as Faculdades de Ciências, mormente a Medicina? Uma escola assim enferma nos seus preâmbulos, ou está errada nos seus fundamentos, criando uma imbecilização e uma desmotivação à partida, sobretudo de “machos”, hoje mais dispersos, menos concentrados e pouco persistentes…

É verdade também que uma escola centralizadora torna-se um fracasso. Mais que nunca uma escola deve responder às suas necessidades autóctones e regionais. Não podemos impingir modelos macrocéfalos lisboetas a regiões pobres, mas com alunos inteligentes… Terá de ser equacionada no sentido de os elevar, engrandecer, e não humilhar, nem desenraizar… Na escola básica terá de haver mais incremento de ciências naturais, química, física, biologia, etc., além das línguas estrangeiras – duas, pelo menos -, o mais cedo possível, de modo a despertar aptidões, que poderão mais tarde desenvolver na especialização das universidades, criando uma abertura internacional, num processo de globalização em curso.

A universidade deverá ser paga também pelos alunos, de modo a melhorar constantemente, quer a qualidade dos professores – que deverão ter uma formação internacional -, quer o material técnico e meios de apoio. Todas as universidades deveriam considerar-se de elite, sem serem elitistas, inovadoras, dialogando com a economia e desenvolvendo o multicultural com respeito pelas diferenças.

A Teologia deveria ser ciência capital, mesmo nas escolas superiores. Mais que nunca se vai pensando no centro da Europa que a Religião é o que há de mais essencial na formação da criança e do jovem. Não haverá paz sem o dialogo das religiões e culturas, mas tolerância não se deve confundir com ignorância ou desconhecimento mútuo. A religião é estabilizadora de uma identidade: todos devem ser informados do outro, para conhecimento de si, e aceitação ou compreensão dos outros…

Estas foram algumas ideias respigadas de uma célebre conferência de Annette Schavan e Rufh Hieronimi, responsável do sector da Educação e Formação para o Parlamento Europeu. E nós, pedagogos de vanguarda, o que diríamos?!…




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