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Na Constituição Europeia rejeitaram-se valores históricos e morais

Impõe-se verificar se a religião que durante séculos se viveu na Europa, foi apenas vista e estudada como um facto histórico como agora se pretende comunicar ao público ou se foi uma realidade de vida pessoal e colectiva, com o objectivo de a transmitir como saída dos lábios divinos para ser vivida, respeitada e amada

N/D
7 Jul 2004

Foi aprovada a Constituição Europeia no plano jurídico e recusou-se a menção explícita ao cristianismo no preâmbulo da mesma, referindo apenas a influência do legado religioso.

Este debate vinha desde há muito e a França jacobina opunha-se à realidade histórica.

Nos últimos tempos, o número de presenças neste movimento político e social aumentou com a presença dos representantes dos dez novos Estados membros: Polónia, Hungria, República Checa, Eslováquia, Eslovénia, Estónia, Lituânia, Letónia, Chipre e Malta.

Os representantes destes Estados pediram em 6 de Maio, na sua primeira reunião como membros de pleno direito, que a referência a Deus fosse incluída bem como a referência ao cristianismo.

São de registar as palavras de outros participantes neste debate: o polaco Aleksander Szczyglo disse com coragem que «não se pode prescindir da referência a Deus» e que, se se prescinde, «a Europa seria uma realidade de cérebro sem coração»; o maltês Jason Azzopardi disse «sim à integração europeia, mas não ao secularismo».

A Comissão de Conferências Episcopais das Comunidades Europeias afirmou com toda a clareza e objectividade que a nova Europa não pode ignorar o cristianismo, não só pelas suas origens, mas também, e sobretudo, pela sua história contemporânea e pelo presente. E justifica esta última afirmação, dizendo: dos 455 milhões de habitantes da Europa ampliada 263 milhões (uns 58 por cento) declaram-se católicos.

Neste conjunto surge a França a contradizer a História, a desrespeitar a religião e os crentes. É que a França é o único país que se apresenta como “Estado laico”. Este laicismo da França é excludente.

Giscard, que representava a França e presidiu ao estudo da Constituição, foi desde a primeira hora laicista excludente.

Mas há pessoas que não são crentes e que, à lei da História, valorizam esta realidade religiosa.

Jacques Le Goff, agnóstico, um dos grandes historiadores da Idade Média, é muito claro. Diz que a cultura europeia é inexplicável sem o facto cristão, começando pelo significado do calendário e suas festividades ou os caminhos das peregrinações.

E Joseph Weiler, judeu, autor do livro “Europa cristã”, defende o estudo que valorize positivamente a contribuição cristã.

Trouxemos para o jornal estas informações objectivas e históricas, para vermos como, infelizmente, agem os políticos. Estes, na França, olvidam a história, as realidades e até o presente, para tentarem deter a actividade religiosa. O governo actual tomou medidas nesse sentido, medidas que alcançam os meios escolares.

Convém notar que os historiadores não se pronunciam senão sobre a História. Não entram na vida íntima e na actividade da Igreja, preferem ver o que se passa no plano externo e social. Daí não se pronunciarem sobre a vida religiosa e sua presença e actividade nos tempos que decorrem. Vêem as realidades e sobre elas lançam as suas vistas e análises.

Impõe-se, no entanto, verificar se a religião que durante séculos se viveu na Europa, foi apenas vista e estudada como um facto histórico como agora se pretende comunicar ao público ou se foi uma realidade de vida pessoal e colectiva, com o objectivo de a transmitir como saída dos lábios divinos para ser vivida, respeitada e amada.

Os tempos, até históricos, não se preocupam com estas realidades fundamentais, apenas olham os movimentos que os tempos sugerem.

A História regista os factos e a vida da fé regista e expressa a consciência da realidade religiosa e a sua prática na vida quotidiana.

Mas, neste momento, os factos são de natureza histórica e, por isso, se dá preferência a esta e não ao essencial da mesma. É, sem dúvida, função própria da História registar os factos.

Os responsáveis da vida política não podem olvidar que os factos procedem da vontade e da intenção de quem os pratica.




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