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Lutar contra os fogos

Responsabilizo a política de organização da área florestal nacional que durante os últimos decénios apenas se tem limitado a nada fazer

N/D
6 Jul 2004

Estamos em plena época estival, chegou o Verão, os portugueses festejam as vitórias da selecção nacional de futebol no campeonato europeu. Todo o país vibra de alegria com os santos populares e as praias começam a encher-se de pessoas.
Juntamente com a habitual e muitas vezes enfadonha publicidade televisiva, está a decorrer uma campanha de sensibilização da população acerca do perigo dos fogos florestais.

Esta campanha refere os 3.000 milhões de euros que a floresta e a silvicultura fornecem de rendimento ao país e o número de pessoas a quem esta actividade produtiva dá emprego, directa ou indirectamente – 160.000 pessoas.

Após estas referências tem a palavra uma personalidade pública que apela à consciência dos cidadãos. Se «um copo de vinho dava de comer a um milhão de portugueses», uma árvore a quantos milhões dará?

Contudo, é pena verificar-se que, apesar de todo este empenho, continuam a deflagrar por todo o lado focos de incêndios, seja devido a queimadas agrícolas, seja provocados por mão criminosa.

Neste mês de Junho, na área metropolitana do Porto, ocorreram pelo menos dois grandes fogos, um na serra de Santa Justa, em Valongo, e nas freguesias da Maia junto à auto-estrada A3 que liga o Porto a Braga. Como sempre arderam vários hectares de floresta, verdadeiros pulmões da Grande Cidade.

Apesar do espectáculo dantesco a que assistimos no ano passado, vimos estes fogos a progredir fortemente, mesmo nas barbas da malha urbana, com inúmeras corporações de bombeiros a lutar contra elas. Um dos fogos ardeu mesmo durante quatro dias – parece inacreditável que isto aconteça junto a vias de comunicação tão importantes.

Não culpo os soldados da paz, pois eles são na maior parte das vezes as vítimas, juntamente com os cidadãos que vêem desaparecer as suas habitações e até mesmo perder a vida.

Responsabilizo sim, a política de organização da área florestal nacional que durante os últimos decénios apenas se tem limitado a nada fazer, ou a promover a política da terra queimada. A limpeza das florestas limita-se a cortar umas árvores para aumentar o orçamento familiar.

Podemos dar umas voltas pelas nossas freguesias e vemos as matas cheias de lenhas e material combustível, visto esta forma de energia ser nos nossos dias pouco utilizada na vida doméstica.

De forma a mudar esta política e mentalidade há que criar uma consciência ecológica, fundada no espírito bíblico de respeitar a natureza como obra que o Criador colocou à disposição da humanidade e nisto as comunidades cristãs muito podem fazer, através da sensibilização dos fiéis

que são proprietários de florestas e áreas protegidas. É preciso lutar contra os incêndios, mas não é só com machados e mangueiras, é sobretudo ao nível das mentalidades, responsabilizando-se cada um pela parte que lhe é respectiva.




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