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A força de uma bandeira!

Acabado que está o Euro2004, cabe aqui reflectir sobre aquilo que a maior competição europeia de futebol trouxe a Portugal.

N/D
6 Jul 2004

Antes de mais e acima de qualquer benefício económico-financeiro, penso que este Euro2004 fez com que os portugueses se reencontrassem com Portugal. As diversas manifestações de patriotismo e apoio à selecção de todos nós, fez com que, quanto mais não seja por três semanas estivéssemos todos unidos em torno de uma só causa, de um só desígnio: vencer o Euro2004.

Este reencontro dos portugueses com Portugal poderá vir a ter proporções bem mais significativas se o espírito de defesa e honra da pátria tiver chegado para ficar e se entendermos de uma vez por todas que, sobretudo nas causas externas, devemos estar todos do mesmo lado e não uns contra os outros, a dividir o país, a dar uma imagem de desunião que são pequenas pedras na engrenagem nesta grande máquina que se chama Europa, deste gigante aparelho que se chama mundo e no qual se espera que Portugal tenha um papel cada vez maior.

O futebol foi a causa que nos uniu… Portugal deve ser um argumento suficientemente importante para que aos olhos do mundo continuemos unidos. Não falo unanimidade, até porque tenho muito orgulho na nossa sociedade pluralista e nesse bem tão precioso que é a democracia em que todos podem ser diferentes.

Falo de unidade em torno de causas nacionais que tenham repercussões internacionais e onde o interesse nacional se sobreponha ao interesse particular de qualquer pessoa ou instituição.

Quis o destino que em pleno Euro2004 tivéssemos essa boa notícia de que o nosso Primeiro-ministro iria assumir funções ao mais alto nível da direcção dos destinos da Comissão Europeia. Esta é também uma causa nacional e que merece não a unanimidade, mas sim a unidade do país.

Este é, porventura, o reconhecimento do papel que Portugal tem na Europa e no Mundo, como agente empreendedor e gerador de entendimentos entre os diversos agentes internacionais. Numa análise fria e distante facilmente se perceberá que este é um dos cargos mais importantes do mundo e que vai ser um Português a desempenhá-lo nos próximos cinco anos.

Este é também um motivo de orgulho nacional, só não o terá quem estiver tão embrenhado na luta político-partidária ou noutra qualquer, que não tenha a lucidez de admitir um facto destes.

Como é possível colocar a hipótese de recusa deste cargo numa altura em que mais do que nunca Portugal precisa de auto-estima, de factores que propiciem o elevar da moral, o levantar de cabeças, o arregaçar das mangas, para irmos à luta e afirmarmo-nos definitivamente como potência europeia? O trabalho de Durão Barroso e do seu executivo foi reconhecido por aqueles que, com a devida equidistância, verificaram que as políticas postas em práticas iam dar resultado… e esse mérito ninguém lhes pode tirar!

A questão da sucessão para mim é evidente. O Sr. Presidente da República tem as soluções que a Constituição da República Portuguesa lhe permitem. Há, no entanto, uma questão que ninguém se lembra. Quando António Guterres pediu a demissão, foi dada ao PS uma oportunidade para formar um novo governo. Esta hipótese não foi aceite porque o partido não tinha uma maioria sólida para governar e andava constantemente a comprar votos aqui e ali para viabilizar os seus actos governativos.

Ora essa questão nem se coloca neste caso. Durão Barroso não sai como Guterres, que claramente assumiu o fracasso das suas políticas e desistiu de governar Portugal usando como escudo um acto eleitoral. O futuro Presidente da Comissão Europeia sai para ocupar um cargo de elevadíssima importância e que dignifica o país.

É a diferença entre um que fracassou e outro que triunfou. Por outro lado, a maioria na Assembleia da República tem todas as condições para governar e todos os seus actos são suportados pela efectividade dos seus deputados, que viabilizam a governação. Não há pescas de votos nem coisa que se pareça.

O Sr. Presidente da República tem assim reunidas condições para viabilizar um governo que tem “pernas para andar” e que recolhe o apoio da ampla maioria dos deputados na AR. Estão aqui reunidas condições que nem por sombras podem ser comparadas àquelas que existiam aquando da demissão de António Guterres.

Por outro lado, continuamos a assistir a um PS politicamente esclerosado que mantém a tradição de se dirigir cinicamente aos Portugueses. Ninguém pode acreditar que um partido com uma crise de liderança, com um congresso à porta onde se vão apresentar, pelo menos, três candidaturas, sem se saber se não haverá outra de peso, em que qualquer uma pode ganhar, quer eleições antecipadas.

Objectivamente nem o próprio Partido Socialista teria condições de se apresentar condignamente a eleições. Estes senhores continuam a falar com os Portugueses como se eles fossem alguns ignorantes que não vissem um palmo à frente do nariz. Haja descaramento!

Vamos acreditar que as actuais políticas postas em marcha vão ter continuidade para que Portugal entre no tão esperado ciclo optimista e positivista que já se começa a desenhar.

Em relação ao Euro2004 resta-me felicitar a excelente organização, que aliás foi reconhecida até pelos próprios agentes da UEFA, e felicitar a Selecção Nacional que nos proporcionou momentos memoráveis e nos lembrou do que é ter orgulho de nascer português!

No que diz respeito ao aspecto desportivo não posso deixar de felicitar o actual Campeão da Europa, não sem antes demonstrar a minha particular frustração pelo triunfo do anti-jogo e do futebol cinzento grego sobre o espectáculo e a cor do futebol português. Força Portugal e até 2006…




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