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Quem desata este nó górdio?

Honestamente é muito difícil de optar entre uma razão e outra por desconhecimento dos reflexos económicos que umas eleições antecipadas podem trazer ao nosso país

N/D
5 Jul 2004

A actual conjuntura política, derivada pela ida de Durão Barroso para Presidente da Comissão Europeia, merece-nos alguns comentários no justo direito de cidadania.
A comparação que se faz, e continuará a fazer, comparando a fuga de Guterres com a fuga de Durão tem razão de ser, mas há situações a ressalvar: Guterres foge para o anonimato e Barroso para o estrelato; Guterres deixa o país à beira da recessão e Barroso à beira da recuperação; o PS não encontrou solução para a comunidade e o PSD/CDS tem soluções para a governação.

No entanto, tanto um como outro, viraram as costas ao País, nos momentos em que Portugal mais precisava deles. É, pois, suportável a comparação, ainda que sejam bem esclarecidos estes factos que dela subjazem. O comportamento do Sr. Presidente da República, tem também de ser tomado em linha de conta.

Os encorajamentos do Sr. Presidente da República a Durão Barroso para a aceitação do lugar de presidente da Comissão Europeia, deixa pressupor que Jorge Sampaio deveria ter estudado as consequências várias da exoneração do primeiro ministro e concluído, com ele, isto é, em conjunto, pelo sim a Barroso.

Todas as situações e reflexos de tal aceitação deveriam ter sido analisadas e escalpelizadas ao pormenor deixando-nos a ideia que o Sr. Presidente da República não viu, ou entreviu, nada de muito perturbador para o País. Certamente falaram nos argumentos que iriam ser utilizados, tanto pela oposição (PS) e dos partidos da contestação, (PCP; VERDES e BE) a favor de eleições antecipadas, como os da coligação, (PPD/PSD e CDS/PP) defendendo outro governo dentro da maioria parlamentar de que dispõem. chocam-se aqui duas posições extremas, os que querem chegar rapidamente ao governo – PS – e os que não querem sair tão rapidamente do governo – Coligação.

E ambos têm razão: os da oposição têm uma certa razão política e os da governação têm uma certa razão constitucional. Nenhum deles tem razão a toda. E o País, é a pergunta que devemo-nos fazer, nós que somos cidadãos e estamos inocentemente a assistir ao duelo? Eleições antecipadas para saciar a ânsia do poder ou não eleições antecipadas para saciar o medo de perder o poder? Honestamente é muito difícil de optar entre uma razão e outra por desconhecimento dos reflexos económicos que umas eleições antecipadas podem trazer ao nosso país.

Julgamos que uma clarificação política não faria mal, porque um governo presidencial, que é o que será o que vier, se vier, será sempre um governo de transição. E uma transição de dois anos é pura e simplesmente perda de tempo. Parece-me que a estabilidade política só vem com um governo referendado e não com um governo nomeado.

E dando ao desbarato os interesses particulares das pessoas, Ferro Rodrigues salva-se em cima do toque do gongo obrigando os seus concorrentes internos a deitarem a toalha ao chão e Santana Lopes estará, desde já, arredado da presidência do concelho de ministros, o que mais nos interessa é salvaguardar os superiores interesses do País.

E estes interesses passam pela estabilidade política e esta passa por ter de haver eleições legislativas antecipadas por muito que nos custe admitir em parceria com muitos outros portugueses e também com Jorge Sampaio.

Mas que há necessidade de desatar este nó político há, nem que seja como o fez Alexandre Magno ao chegar à capital da Frigia, no templo de Zeus; zás.




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