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Nótulas soltas da minha agenda

Os portugueses aderiram à bandeira e ao nosso hino. Finalmente e ainda bem! Que não seja um fumo efémero de patriotismo! Estávamos a precisar deste alento de alma “Lusitanificante”

N/D
5 Jul 2004

1 Li com imensa satisfação e alegria, no Diário do Minho, dia 27 de Junho, o artigo/ notícia do Padre João Torres, jovem presbítero em serviço missionário em Moçambique.
“Sentado na esteira…” fez-me pensar o quanto é importante cada um de nós sentar-se, na esteira ou na cadeira, é indiferente, colocando-se ao nível do outro e ouvi-lo. Estar à escuta que gera o diálogo de que andamos todos pobres!

De facto “o que muitas vezes nos falta para darmos sentido à nossa vida e evitarmos guerras e terrorismos desnecessários é sentar na esteira, ouvir outras vozes…”. Obrigado Padre Torres! Apesar de não me ir ler, como penso, devo-lhe este agradecimento pelo convite para me sentar na esteira…

2. Parece que é desta que regressa Cister a Portugal. A Ordem Religiosa e monástica a quem Portugal tanto deve da sua identidade vai voltar. Que volte depressa. Está a fazer falta.

3. Acontece-me frequentemente repescar livros que já li. As vezes, até só por que estão fora do sítio em que deveriam estar arrumados depois da leitura, dá-me vontade de os folhear e ler um pouco ao acaso. Passou-se isso, um destes domingos, com o livro de João Duque – “Cultura Contemporânea e Cristianismo” (U. Católica, 2004) e reli e voltei a reler as páginas 122, 123 e 124. E tudo por causa do “silêncio que tornou-se algo proscrito na nossa cultura mediática…”.

Encharcado em notícias que me impingem como querem ver tratadas e não como elas são, nem com a ênfase que merecem, sinto que, por vezes tenho o direito a não querer receber aquele tipo de informação. Tenho direito ao silêncio mediático. À abstinência curativa da ausência de telejornais. A minha saúde mental precisa, de vez em quando, desta terapia.

4. Os jogos do Euro 2004 em que participa Portugal têm sido motivo de grande mobilização. Até cidadãos que nunca se interessam pelo futebol – é o meu caso – se deixam entusiasmar. Mas, o mais curioso, e que não deixa de me impressionar vivamente, é a alegria manifestada de forma extraordinária pelos habitantes no ex-ultramar: Angola, Moçambique, Cabo Verde e até Timor lá longe! A nossa presença nesses países, afinal, ainda está viva. É gratificante.

Outro dado que me foi chamado a atenção por um amigo, é que, finalmente, os portugueses das novas gerações, a quem nunca se tinha explicado o significado da nossa bandeira, já sabem o que significa cada elemento que a define como um dos símbolos da nossa Pátria. Na realidade, os portugueses aderiram à bandeira e ao nosso hino. Finalmente e ainda bem! Que não seja um fumo efémero de patriotismo!

Estávamos a precisar deste alento de alma “Lusitanificante”.

5. Os políticos desiludem-me em cada dia que passa: interessam-se por si e pelo seu círculo de amigos-para-a-ocasião; dão tiros, às vezes violentos, nos seus próprios pés; cultivam o egoísmo grupal e descuram a solidariedade comunitária. O seu horizonte é muito próximo. O importante não prevalece sobre o espectáculo. Rendem culto ao imediatismo que se traduza em mais intenções de voto. E o circo prevalece: malabarismo, equilibrismo, ilusionismo…




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