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A lota de Matosinhos

Palavras sábias as de Mota Amaral, acerca desta barulheira política que por aí vai: «em democracia, todas as crises têm solução»

N/D
1 Jul 2004

Palavras sábias as de Mota Amaral, acerca desta barulheira política que por aí vai: «em democracia, todas as crises têm solução».
Os políticos deveriam sabê-lo, por formação profissional. Mas, afinal, são eles que, por deformação, colocam os simples cidadãos em alvoroço. Será para depois aparecerem como uma espécie de salvadores?… Valha-me Deus: parecem os pequenos escuteiros a obrigarem a velhinha a atravessar a rua!…

Se é o Presidente quem tem de decidir; se Jorge Sampaio é digno de confiança e as alternativas constitucionais por que pode optar são claras, não seria melhor que o deixassem pensar e aconselhar-se em sossego, em vez de virem para as TV’s dizerem que não o pres-sionam, ao mesmo tempo que exigem esta ou aquela solução?

Confesso que ao ver algumas discussões televisivas me vieram à memória cenas recentes na lota de Matosinhos, com cada grupo a reivindicar a propriedade do candidato. E, como não podia deixar de ser, todos em nome do povo e garantindo ter consigo a maioria…

Infelizmente, nem se dão conta que o povo que mora mais longe do Rossio ou da Praça da Figueira começa a não corresponder a tão grande e inefável amor… Porquê?

Porventura porque anda ocupado a olhar a vinha e o míldio, a ver as batatas, ou a responder a uns biscates que ajudem o magro orçamento familiar. E ainda porque não tem horários compatíveis com os da classe bem pensante.

Mas não levem a mal, meus senhores. É que tudo isto tem de ser feito, ainda que roube tempo ao tempo que poderia ser dedicado a ler jornais com os discursos e as propostas que V. Ex.as nos debitam…

De novo lhes peço: tenham calma!…. Ou será que estamos à beira de perder a independência nacional? O Oceano Atlântico vai a caminho do Gerês? Georges
W. Bush decidiu bombardear as torres das Amoreiras?…

Francamente, muito gostamos de dramas!…

Ele é o Figo que saiu directamente para os balneários; dois marroquinos com uma máquina fotográfica; um SMS que nos convida a aparecer em Aljubarrota; o vizinho de cima que veio à janela, com uma espécie de turbante na cabeça, quando abrimos a porta da rua a horas tardias…

Senhores políticos, a gente paga-lhes para resolverem os problemas que uns e outros vamos causando (verdade seja dita, mais vocês que nós!…).

E assim como não gostamos que o médico entre em pânico em vez de, tranquilamente, nos falar do mal e da cura, também não apreciamos o nervosismo impotente que os afecta.

Não são capazes?… Desviem-se, que a gente resolve!…




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