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O Presidente do Governo Espanhol apressou-se a visitar o Papa…

Os políticos devem pensar a sério num trabalho construtivo que enobreça a vida nacional e não na política partidária que favorece os seus interesses pessoais

N/D
30 Jun 2004

Os socialistas assumiram o poder na vizinha Espanha e o Presidente do Governo apressou-se a anunciar decisões que atingem a Igreja Católica no plano dos seus princípios de ordem moral.
Como o problema é essencial à vida dos católicos e é uma preocupação da Igreja, certamente que as reacções, mormente as que se teriam produzido no Vaticano, incomodaram o Governo espanhol e, em especial, o Presidente do mesmo.

O Santo Padre, na visita do primeiro-ministro de Espanha, condenou os projectos do Governo espanhol no referente à família com estas palavras: «Espero sinceramente que o seu envolvimento pessoal como o do seu governo, no desenvolvimento de Espanha, seja atingido e que nessa tarefa tenha em conta valores éticos enraizados na tradição religiosa e cultural da população».

O Santo Padre, dois dias antes do encontro, criticou publicamente os projectos do Governo espanhol com os quais pretende ampliar o aborto, equiparar a convivência homossexual ao matrimónio e alterar o ensino da religião nas escolas.

O Santo Padre foi objectivo e claro, dizendo que o Governo «tem a obrigação de defender a vida, em particular, a dos mais débeis e indefesos»; estes têm o direito «a nascer e a crescer num lar estável, onde as palavras pai e mãe possam dizer-se com gozo e sem engano». E também: o Executivo não deve «infravalorizar o ensino da religião católica nas instituições estatais, baseado precisamente no direito das famílias que o solicitem».

As iniciativas tomadas pelo presidente do Governo socialista de Espanha provocaram a reacção firme do Episcopado espanhol, o que provocou reacção na população, facto que não podia ser olvidado ou deformado pelos políticos tanto mais que ainda vigoram os Acordos de 1979 entre a Espanha e a Santa Sé.

Que pensar a respeito das consequências desta visita de José Luís Rodrigues Zapatero ao Papa? O porta-voz da Santa Sé, Joaquín Navarro-Valls, deu-nos a resposta. Disse que se «havia passado revista aos principais assuntos bilaterais à luz dos acordos entre a Santa Sé e a Espanha, particularmente aos de 1979, e reafirmado a vontade de diálogo e colaboração». E acrescentou: nos meios do Vaticano vê-se «construtiva» a atitude de Zapatero, mas acrescenta que há que esperar os factos.

A Espanha expressa uma realidade: país católico, sofrendo as consequências, até no plano reli-gioso, da democratização e das características dos vários Estados que com os seus governos agem politicamente a seu gosto e tendência, oferece graves dificuldades de entendimento e de aceitação política.

O governo da Direita que precedeu o governo actual deu prosperidade e melhorias económicas e sociais e alcançou um notável prestígio no plano internacional.

Os socialistas ignoram ou procuram ignorar estas realidades, buscando, sobretudo, o êxito político que lhes possa trazer simpatia e força no poder.

Acontece, infelizmente, que não se vêem nos seus adversários uns concorrentes que a História justifica e que as leis, seriamente redigidas, enobrecem.

A política, infelizmente, busca o seu êxito no sector em que se encontra, e não no plano nacional, que enobrece o país e o torna respeitado.

Não é de hoje esta atitude. Mas impressiona que se não aproveite a História, as suas lições, e sobretudo o que melhor serve os interesses nacionais, para que a política se torne uma actividade nobre e verdadeiramente essencial ao presente e ao futuro dos povos.

Nas últimas eleições europeias, a abstenção, até nos países populosos, foi enorme, e os políticos deram primazia à vitória e não ao desinteresse ou à má formação do eleitorado, que não quis participar no acontecimento democrático. As realidades, positivas e negativas, devem estar presentes em nós para agirmos devidamente ao serviço da realidade democrática com que se governa uma nação.

Os políticos devem pensar a sério num trabalho construtivo que enobreça a vida nacional e não na política partidária que favorece os seus interesses pessoais.

Na visita que o primeiro-ministro de Espanha fez ao Vaticano, o Santo Padre lembrou-lhe, e concretizou, o caminho que se impõe construir e percorrer.




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