Fotografia:
E nós por cá?

Há dois testes decisivos para saber as linhas com que nos vamos coser: quem será o futuro ministro das Finanças e se Santana travará o processo de escolha do novo accionista da Galp, que está a decorrer. Consoante as respostas, assim saberemos o que o futuro nos espera

N/D
29 Jun 2004

Não tenho nenhuma dúvida que Durão Barroso deve aceitar o convite para ser presidente da Comissão Europeia. É uma honra para o primeiro-ministro e é sem dúvida importante para Portugal. Mas, dito isto, como é que ficamos nós por cá?
Do ponto de vista legal, o Presidente da República tem toda a legitimidade para não convocar eleições antecipadas, chamar outra vez o partido mais votado nas últimas legislativas, pedir-lhe que indique um novo candidato a primeiro-ministro e que este forme um Governo. Na verdade, está dito e redito, os eleitores votam em partidos para a Assembleia da República – e o mais votado indica o primeiro-ministro.

Claro que, do ponto de vista prático, conta muito para os eleitores saber quem será o putativo chefe do Governo. E esta é a questão que se coloca na provável ascensão de Santana Lopes a primeiro-ministro. Santana não está no executivo, não é líder do PSD – é, simplesmente, o número dois de Durão na hierarquia social-democrata. Esta solução foi referendada pelo povo laranja mas não pelos eleitores nacionais.

Também é evidente que eu não faria estas reservas se fossem outros os nomes em cima da mesa – Manuela Ferreira Leite, Dias Loureiro, Marcelo Rebelo de Sousa ou, porque não, Miguel Cadilhe. Mas o passado de Santana Lopes e as suas posições políticas, muito mais próximas do CDS/PP do que as de Durão Barroso, prenunciam que haverá uma mudança para a direita nas políticas até agora seguidas.

Prenunciam também a ascensão no aparelho de Estado de um conjunto de pessoas que não partilham os mesmos valores que aquelas que até agora estão no Governo. E deixam prever o pior: que Portugal pode passar a ser um sítio muito pouco recomendável.

No plano económico há dois testes decisivos para saber as linhas com que nos vamos coser: quem será o futuro ministro das Finanças e se Santana travará o processo de escolha do novo accionista da Galp, que está a decorrer. Consoante as respostas, assim saberemos o que o futuro nos espera – embora eu, confesso, não augure nada de bom.




Notícias relacionadas


Scroll Up