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Dois homens – dois santos

A santidade é para todos e que o modo de atingir essa santidade é cada um manter-se no seu lugar,”santificando o seu trabalho profissional; santificando-se com esse trabalho; e santificando os outros com esse trabalho”.

N/D
26 Jun 2004

Estamos a celebrar hoje a festa litúrgica de São Josemaría Escrivá e celebrámos há quatro dias (a 22 deste mês) a de São Tomás Moro. Não é porém esta proximidade de datas que os liga, mas sim a maneira como Tomás Moro, muitos séculos antes de Josemaría Escrivá soube viver a santidade no meio do mundo.

A 9 de Janeiro de 1902, nasceu em Barbastro aquele que viria a ser mais tarde São Josemaría Escrivá o Fundador do Opus Dei. Crescido e educado numa família cristã, nunca lhe passou pela cabeça a ideia de se fazer sacerdote. Um dia, já perto dos seus 16 anos, e a viver em Logronho, viu umas pegadas na neve de alguém que se levantara cedo. Não as pegadas de calçado normal para a época – botas ou sapatos apropriados -, mas sim as de um carmelita descalço do mosteiro que ficava
próximo. Ficou muito impressionado e, perante uma vida tão sacrificada por Amor a Deus, perguntou-se o que poderia fazer ele próprio.

Como estudante, sempre tinha pensado em ser arquitecto. Resolveu, com o apoio do pai e a orientação espiritual desse mesmo carmelita, tornar-se sacerdote para estar mais disponível para cumprir os desígnios de Deus a seu respeito. De facto assim aconteceu e depois dos estudos feitos, foi ordenado sacerdote a 28 de Março de 1925.

Em 2 de Outubro de 1928, «viu» finalmente o que Deus queria dele – a Fundação do que mais tarde se viria a designar por Opus Dei e que veio inculcar nas pessoas do seu tempo a ideia de que a santidade é para todos e que o modo de atingir essa santidade é cada um manter-se no seu lugar, “santificando o seu trabalho profissional; santificando-se com esse trabalho; e santificando os outros com esse trabalho”.

Viveu e pregou incansavelmente este modo de santidade e em 26 de Junho de 1975, morreu, “espremido como um limão”, como costumava dizer, a propósito da generosidade na entrega que cada um deve fazer de si a Deus, no estado e lugar em que se encontra. A 17 de Maio de 1992, João Paulo II beatifica-o e a 6 de Outubro de 2002 canoniza-o. A doutrina que sempre pregou – a chamada universal à santidade – sancionada pelo Concílio Vaticano II, ficou assim viva num modelo para todos os cristãos.

Quatrocentos e vinte e quatro anos antes, em 1478, nasceu, em Londres, Tomas Moro, que viria a ser um grande humanista, um juiz recto e prestigiado, embaixador, conselheiro e Chanceler de Inglaterra. Era um modelo de amigo, de pai e de esposo. Foi um homem de grande sentido prático que trabalhou para viver a sua vida espiritual em plenitude. Isso não o impediu de participar activamente na vida pública do seu país. A sua infelicidade, humanamente falando, foi ter vivido no tempo do Rei Henrique VIII; sob o ponto de vista sobrenatural esse facto foi a causa da sua grandeza.

Tomás Moro nunca esqueceu o sentido do mistério do cristianismo; tinha um grande apreço pelos sacramentos e a união do material com o espiritual. João Paulo II na Carta Apostólica sob a forma de Motu Próprio em que declarava Tomás Moro Patrono dos Governantes e Políticos, cita a Exortação pós-sinodal Christifideles laici, nº 17: “a unidade de vida dos fiéis leigos é de enorme importância, pois eles têm que se santificar na vida profissional e social normal. Assim, para que possam corresponder à sua vocação, os fiéis leigos devem olhar as actividades da vida quotidiana como ocasião de união com Deus e de cumprimento da sua vontade, e também como serviço aos outros homens”.

A sua vida familiar nunca foi descurada pelas inquietações religiosas ou pelo seu trabalho intenso. Soube ser um bom filho, como soube ser um bom chefe de família e um profissional excelente.
Francesco Cossiga, aquando da canonização de São Josemaría, escreveu um artigo em Il Tempo em que se pode ler a dado passo, referindo-se a São Tomás Moro: “Foi leigo e talvez o primeiro santo leigo, de tal modo – a hipótese é minha – que, se tivesse vivido nos nossos dias, poderia talvez ter pertencido ao Opus Dei” (O texto integral pode ser consultado em www.josemariaescriva.info ).

Acrescento que foi Francesco Cossiga um dos que contribuiu, com a recolha de assinaturas, para pedir ao Santo Padre que nomeasse São Tomás Moro Patrono dos Governantes e Políticos e teve o apoio de pessoas da direita, do centro e da esquerda, quer em Itália, quer no estrangeiro. São Josemaría tinha uma particular devoção a São Tomás Moro, pois via nele o prenúncio da vocação laical que tanto pregou.




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