Fotografia:
Que cristão sou?

Afinal, que cristão sou?A pergunta formulei-a a mim mesmo ao ler a última parte da carta da Comissão Nacional Justiça e Paz, a que me referi na semana passada.

N/D
24 Jun 2004

Mais do que uma ideologia, o Cristianismo é, fundamentalmente, um modo de ser e de estar no mundo. Um estilo de vida. Ser cristão é aderir a Jesus Cristo tomando-o por caminho, verdade e vida. Cristão não é o indivíduo que se limita a invocar a condição de baptizado, a participar num conjunto de actos de culto, a ostentar símbolos ou sinais cristãos, mas aquele que faz um esforço por viver cristamente, por assumir atitudes cristãs, por se orientar na vida pelos critérios do Evangelho.
Reconhecem os autores da referida carta que «os cristãos pouco confrontam as suas atitudes e comportamentos na sociedade (trabalho, negócios, ensino e investigação, participação cívica ou política) com as exigências que decorrem da sua fé em Jesus Cristo. Sucede, assim, que os valores humanos e cristãos interferem pouco ou nada nas respectivas vidas».

E lançam a provocadora e inquietante pergunta: «Em que pensaria Jesus quando, dirigindo-se aos seus discípulos, lhes dizia: vós sois a luz do mundo, vós sois o sal da terra, vos sois o fermento que uma mulher junta à massa para levedar?»

«Certamente – acrescentam -, quer encorajar-nos».

E concretizando, adiantam: «Ser luz, sal ou fermento, hoje, é estar na primeira linha de quem defende e promove direitos fundamentais. É escolher estar do lado dos empobrecidos e dos mais fracos. É defender o princípio fundamental do destino universal dos bens da terra e consequentemente procurar com todo o empenho que aqueles se destinem prioritariamente à subsistência e melhoria de condições de vida para todos e não em benefício exclusivo de alguns. É reconhecer que a propriedade privada ou a livre concorrência não são valores absolutos. É não pactuar com estruturas injustas. É adoptar atitudes e comportamentos pessoais de consumo, de produção, de troca, de gestão que sejam coerentes com os valores evangélicos».

Alguém afirmou um dia que precisamos de ser mais cristãos e menos beatos. «Ao contrário daquilo que muitas vezes aceitamos com fácil comodismo – lê-se quase no final da carta que venho a comentar -, podemos sempre fazer algo para mudar este estado de coisas.

Bastaria que, numa sociedade em que a maioria das pessoas se reconhece como cristã, vivêssemos mais de acordo com os critérios evangélicos para que os problemas colectivos que enfrentamos encontrassem resposta.

Se o nosso coração se alegrasse mais e desse mais valor àquela pessoa que conseguiu romper com a sua situação de pobreza e exclusão do que à ostentação do sucesso daquele que já muito tem, fomentaríamos um “outro olhar”, outros valores e outras atitudes na nossa sociedade».

Volto à pergunta inicial: afinal, que cristão sou? Demonstro, com a vida – com as opções que faço, com a atitudes que tomo, com a linguagem que uso, com os critérios por que me oriento -, que sou discípulo de Jesus Cristo?




Notícias relacionadas


Scroll Up