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Eleições Europeias

Se estamos em democracia e todo o cidadão tem o direito a eleger o seu caminho no campo político, porque se atravessam na sua marcha?

N/D
23 Jun 2004

Efectuadas em 13 deste mês de Junho, as Eleições Europeias trouxeram muitas surpresas, que as urnas registaram.
Entre nós, houve quem, durante a campanha eleitoral, se pronunciasse não sobre eleições europeias, no sentido de as projectar aos eleitores, mas que as abordassem para atacar a política do Governo. Ao verem o que se passara noutros países, e governados por socialistas, devem-se ter sentido mal, porque a “lição” vinda desses países os silenciou ou os esclareceu sobre o erro que estavam a cometer.

No diário “Público”, e na primeira página em título, lemos: «Voto de castigo. Maioria dos governos saiu derrotada das europeias». E em artigo a que deu título: «Desinteresse e voto de protesto marcam eleições europeias».

E regista dois factos: o primeiro, que a taxa de abstenção foi a maior de sempre e que «em praticamente todos os países, os partidos no Governo sofreram derrotas mais ou menos importantes, sobretudo na Alemanha, França, Polónia e Reino Unido». Entre nós, a oposição desejava eleições para novo Governo, olvidando que as eleições europeias não tinham esse efeito: eleições nacionais antecipadas.

A resposta do Governo alemão foi precisa e objectiva. Disse: «Não haverá consequências para o Governo, porque estas não foram eleições legislativas».

Entre nós, também se registaram intenções menos dignas ou ignorância incompreensível.

No semanário “O Diabo” de 15 de Junho, e da pena de João Coito, lemos: «A noite eleitoral teve aspectos estranhos e delirantes. Estranhei que o Secretário-Geral do PS tivesse afirmado que os resultados demonstraram a maturidade do eleitorado. Como? Com mais de metade do País a mandar os políticos às malvas?…

Estranhei que se dissesse que os resultados “desligitimizavam” o governo que temos, contra o que afirmaram durante a cam-panha eleitoral. O delírio encontrei-o no BE e no PC: afinal, para eles, as europeias ser-viam para retirar do Iraque e até para substituir o governo!…»

O semanário “O Diabo” ouviu alguns intelectuais portugueses a respeito dos acontecimentos que estamos a registar:

– o catedrático Jorge Miranda disse: «O Governo não é juridicamente afectado por estes resultados, mas politicamente sai bastante enfraquecido»;

– Rosado Fernandes, também professor catedrático, disse: «O povo português não quer reformas, quer continuar na mesma»; e «As pessoas estão fartas dos políticos, já não esperam nada deles»;

– Silva Resende, Director do jornal “O Dia”, diz: «A grande vencedora foi a abstenção».

Os factos têm importância na nossa vida, seja intelectual seja social. São uma lição permanente para quem deseja estar bem informado das realidades.

Veja-se o que se passou com as eleições europeias. Afinal foi a Direita quem as ganhou, mas silenciaram-se as vozes que se levantam frequentemente contra a Direita. Isto regista-se entre nós. Estamos em democracia cujos direitos e deveres cívicos se impõem em todas as circunstâncias e momentos.

Quantos oradores da Esquerda, em vez de proclamarem a importância das eleições, não obstante a diversidade de critérios, preferiram o ataque ao adversário, porque era da Direita e proclamavam a grandeza da Esquerda.

Se estamos em democracia e todo o cidadão tem o direito a eleger o seu caminho no campo político, porque se atravessam na sua marcha? Na Europa, verificamos que há países democráticos, como a Alemanha e a França, onde a Esquerda dispõe de partidos avançados, e os governos procuram responder às normas e processos desses partidos, mas não têm posto o problema da suspensão das mesmas…

Só entre nós é que se assumem atitudes que desrespeitam a democracia, e com ela a verdade e a vida política e social. Estamos longe de viver a democracia autêntica, que impõe aceitação dos partidos, respeito por eles e o combate franco, leal e frontal, quando se regista o desrespeito à mesma democracia.




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