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Os piores do mundo

Nalguma coisa temos do pior do mundo. Claro está, neste sindicalismo partidário e requentado, fora de moda

N/D
22 Jun 2004

Afinal somos os piores do mundo. Num país ainda muito isolado, há o terrível hábito ou tradição de dizer que somos os piores. Que isto ou aquilo só em Portugal é possível. Que é uma vergonha.
Os portugueses enquanto eleitores, demitem-se de mudar as coisas, por exemplo votando, ou protestando civicamente. Mas para atestar que somos os piores, há sempre uma carpideira de serviço. Para cantar o fado. Da tristeza e da inferioridade moral. E se a crise é de confiança, isso também se deve a um povo que julga superficialmente a realidade. E que quando lhe falta no bolso, atira pedras à bandeira, que duas horas antes ostentava.

Enfim, a falta de auto-estima deriva da má governação que temos tido, do Estado anacrónico em que sucessivos governos nos deixam. Mas também e muito, da demissão colectiva dos portugueses. Da sua incapacidade para se organizarem. Da sua indisposição para participar civicamente. Porque é sempre melhor ver uma telenovela do que ir a uma reunião de condomínio. Porque é sempre mais importante um jogo de futebol do que um debate. Porque é melhor um qualquer jantar do que uma formação.

E já nem falo de questionar directamente os eleitos. Como é prática comum dos britânicos. É que se por cá, os deputados não respondem, é porque também, verdadeiramente ninguém os questiona.

No dia em que a táctica e o trabalho germânico dos gregos demoliram a basófia sem escolaridade obrigatória, conseguiu ver-se pior. Ora, nem mais nem menos que um protesto da CGTP/Fenprof para turista ver. E em cinco línguas para denunciar a estrangeiros que nada decidem, felizmente, sobre o nosso país. Denunciar, imagine-se, a situação de alguns professores, que segundo a tal intersindical, o Governo quer esconder sob a capa do Euro.

O primeiro comentário é do despropósito malcriado e anti-nacional do protesto. Se méritos o Euro2004 teria, o maior e porventura único era o de promover uma marca.

Um destino turístico. Um país moderno. Com produtos de qualidade e exportáveis. Ora o protesto da Intersindical visou precisamente destruir este conceito. Se conseguir que menos turistas cá venham, e menos estrangeiros recomendem a marca Portugal, então conseguiu. Destruir empregos. Diminuir a economia. Aquilo que a CGTP normalmente faz.

O segundo comentário é o da incoerência; afinal, nada de novo. Nunca vi Carvalho da Silva condenar o gulag soviético, a exploração do homem pelo burocrata, a plutocracia que se abateu sobre os desgraçados do comunismo a leste. Mas, cá não há problema.

Afinal somos um pequeno rectângulo na internacional. Em 75 foi pior, e foi gente deste calibre que entregou os “explorados pelos colonizadores” aos dizimadores comunistas. Milhões de mortos depois, um exame de consciência faria sentido. Mas não, o partido está primeiro que a pátria.

O terceiro comentário é para quem viu a manobra política de última hora e nada fez. Se um Presidente e um Primeiro-ministro apelarem à vitória da selecção de futebol é eleitoralismo (?), como apregoaram alguns políticos e sentenciaram, expeditos, alguns jornalistas, então o que dizer da manif da intersindical? No dia de reflexão para as eleições? Para denunciar o Governo? Perante os estrangeiros? Só não percebeu o golpe baixo quem não quis. E só por distracção ou displicência não respondeu como devia.

Não somos os melhores do mundo. Como quem está no poder quer à pressa enxertar na desculpa gasta da herança da tanga. Mas também não somos os piores do mundo.

Como gostam as oposições bramar.

Agora, seguramente nenhum mal existe na indignação. Que sinto e tenho, quando vejo dirigentes sindicais de funcionários públicos, pagos pelo Estado, a enxovalhar a nação.

No século XXI, não há mal nenhum em defender o que é nosso, seja a cidade, a região ou a nação.

Nunca houve. Afinal, é isso que há muito fazem, e com sucesso os espanhóis, valorizando as regiões, e promovendo a competitividade nacional. Claro que por lá não há Intersindicais deste calibre.

Por isso é que os trabalhadores espanhóis andam ricos e felizes. E afinal nalguma coisa temos do pior do mundo. Claro está, neste sindicalismo partidário e requentado, fora de moda.




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