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Nótulas soltas da minha agenda

Não mudamos muito, afinal. Nos F e noutras coisas!

N/D
21 Jun 2004

1 É simpático receber mensagens dos nossos leitores. Recebi uma que me tocou particularmente, ainda por cima de alguém que diz não partilhar as minhas ideias.
Obrigado a este leitor a quem já respondi. As palavras dos nossos leitores são sempre estímulo.

2. No tempo de Salazar dizia-se que Portugal era o país dos três F, país alienado pelo Fado, por Fátima e pelo Futebol. Ora bem, se olharmos à nossa volta, pouco mudou: veja-se o espanto do “patriotismo vexilomaníaco” em que eu também entrei! Fátima continua a arrastar multidões: entre muitas pessoas com Fé há a superstição e o turismo. Finalmente o Fado está muito reduzido a grupos social e geograficamente bem limitados. Mas… não se perdeu nenhum F – agora é de Férias e Folgas, uma verdadeira alienação manifestada em qualquer feriado, ponte legal ou ponte forçada.

Basta ver os lusofutebolistas despejados nas praias e quem não pode ir virar deprimido por não ter podido ir “trabalhar para o bronze” sinal de um “must” social! Não mudamos muito, afinal. Nos F e noutras coisas!

3. «Políticas sociais para a infância precisam de ser alteradas» (cfr. DM de 2004/06/16). E as de Juventude. E as de Terceira Idade. E as … Precisamos de políticas para a Família! São uma urgência. Não chegam os bem-intencionados “100 compromissos” para a Família anunciados pelo Primeiro-Ministro recentemente.

As famílias, disfuncionantes ou “funcionantes”, precisam de quem olhe por elas de forma integrada e integradora das políticas sociais sectoriais.

4. É uma derrota para a humanidade o que se deixa passar no Congo (ex-Zaire) e no Sudão! Milhões de pessoas estão a morrer à fome, à sede e de doença. Sinto que falta ainda muito para se cumprirem os Direitos Humanos fundamentais.

5. A mendicidade na rua envergonha-nos. Também em Braga se vêem os “profissionais” da esmola. O Presidente da Câmara Municipal de Ponte de Lima anunciou boas intenções para desmobilizar os “pedintes” e os “doadores”. Estes alimentam a sem vergonha e a… injustiça social!

6. A vergonha do caso da lota de Matosinhos não é só um problema do PS. É um problema fundamental da Política que se faz em Portugal. Deveríamos, todos, fazer uma reflexão sobre o que é, de facto, estar na Política.

7. Olhando as bandeiras dos países que participam no Euro2004 reparo que vários sinais do cristianismo estão lá bem patentes: as chagas de Cristo (Portugal) e a Cruz, por exemplo, na bandeira de Inglaterra, da Dinamarca ou da Suíça. “E esta, hein?”, como diria o saudoso Fernando Pessa.

8. Acabei de ler um livro que fortemente me inquietou. Dos livros que li recentemente, nenhum me marcou tanto e me obrigou a pensar como “Malmequer”, de Pedro Strech (Ed. Assírio&Alvim, Lisboa 2003). Cruelmente realista. Realmente cruel. Inquietante.

Perturbador. A falta do Pai. A falta de Família. A injustiça. As infidelidades… As fugas às responsabilidades… Tanta gente tão bem analisada! No final da sua leitura fiquei perturbado. Ainda bem.




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