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Rostos que desaparecem

Na efervescência dos tempos que passam, provocada mormente pelos acontecimentos do Euro 2004 e das eleições, fomos surpreendidos pelo desaparecimento do palco da vida temporal de personalidades marcantes da cena nacional e internacional.

N/D
19 Jun 2004

Quem diria que o Dr. António de Sousa Franco, no auge da campanha das eleições europeias, acabaria por falecer, atraiçoado por esse motor da vida humana que se chama coração? Tinha-se livrado duma manifestação bastante confusa lá para os lados do porto de Leixões, mas as fortes impressões da refrega aliadas às noites mal dormidas, às jornadas incessantes, ao calor estival intenso e a uma movimentação alargada à volta da sua pessoa, a que talvez não estivesse habituado, fizeram-no soçobrar e pôr um ponto final numa carreira cheia da valências. Tal acontecera a Sá Carneiro e Adelino Amaro da Costa, falecidos no fervor duma eleição presidencial, desta vez com o afundar da nave que os transportava para o Porto.
E quando todos os pensamentos e noticiários se centravam no político falecido e seu funeral, eis que mais outro, bem conhecido dos órgãos da comunicação so-cial, acabaria por desfalecer, o Dr. Lino de Carvalho. Embora não partilhando a sua filosofia política, habituei-me a admirar a sua forte personalidade na defesa dos seus ideais, numa bem estruturada argumentação e numa dicção eloquente e convicta.

Era alguém que defendia ideias e temas, sobretudo relacionados com a economia, mas respeitava as pessoas, evitando a ironia, o enxovalho ou sarcasmo, tão do agrado de certos políticos, que, no fundo, só servem para se vilipendiarem.

No mesmo lapso de tempo, falecia outro político, de idade avançada, mas muito conhecido em todo o mundo, nos EUA – Ronald Reagan, que foi alguém que influenciou de forma decisiva a “viragem histórica” das últimas décadas. Este homem era um extraordinário actor, no sentido real como personagem cinematográfico, e no sentido figurado como político simpático, dinâmico e eficaz. Foi ele quem apressou a chamada “perestroika” da URSS com Gorbatchev, após vários encontros muito cordiais. Era um homem que irradiava simpatia e humanidade, que manifestava “fair play” em todas as situações, mesmo as mais difíceis, como quando foi baleado.

Ouvimos, a seu respeito, declarações de que se servia das reuniões para fazer convívios amistosos e francos, onde existia um clima de amizade e familiaridade. Para o efeito utilizava anedotas oportunas e actualizadas que provocavam grandes gargalhadas. E tudo isto aliado a uma fé cristã inquebrantável e sem respeitos humanos.

Reagan sofreu um atentado no mesmo ano, creio eu, que o actual Papa João Paulo II. Ambos vieram a sofrer a doença de parkinson, talvez – os médicos é que sabem! – como resultado dos projécteis que os atingiram. É assim este o mundo em que vivemos: ninguém pode ser diferente ou ter a ousadia de modificar as estruturas, tantas vezes caducas, da sociedade em que se vive. Há sempre um emissário secreto que procura derrubá-lo porque entende que esse não é o caminho que se deve trilhar… Sempre assim foi desde os tempos do pai Adão e sê-lo-á enquanto não vier “O que há-de vir” no fim dos tempos.

Três personalidades que admirei, embora situadas em pólos ou campos diferentes de acção e de vida.

Que o Deus da Verdade, da Paz e do Bem os tenha no reino do Seu Amor infinito!




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