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O homem que mudou a face do mundo

Foi ele o primeiro a declarar guerra contra o terrorismo

N/D
18 Jun 2004

Nasceu a 6 de Fevereiro de 1911 em Tampico, Illinois e faleceu a 5 de Junho de 2004. Estudou na faculdade Eureka economia e sociologia; jogou na equipa local de futebol e participou em jogos da escola, distinguindo-se como salva-vidas e salvou, em seis anos, 77 vidas.
As moças achavam-no tão giro que se deitavam à água para que ele as salvasse. A sua eloquente voz de comunicador nato voa quando se assume repórter desportivo da rádio; em 1937 conquista Hollywood e, além da voz, a sua imagem e irrequietude percorrem o mundo durante duas décadas, participando em 53 filmes.

Ali, num lauto jantar, a pedido de Nancy Davis, que dele pretendia um favor, descobriu nela a sua exacta medida. Não sei se cedeu ao favor, mas, certo, certo, é que logo, a seguir, em 1952, casaram e jamais deixaram de andar de mão dada pela vida fora. Tão carinhoso era que até lhe pediu desculpa por não se ter desviado da bala assassina disparada por um louco. E teve de ser operado de urgência.

À cautela desabafou: «Oxalá que os médicos sejam republicanos». A sua carreira política foi brilhante. Em 1962 abandona o Partido Democrata e passa-se para o Partido Conservador. E em 1966 foi eleito governador da Califórnia por uma margem de um milhão de votos, e reeleito em 1970. Mas é em 1980 que chega à Casa Branca, vencendo o politicamente debilitado Jimmy Carter.

Contra a corrente, baixa os impostos, não se assustando com a diminuição das receitas e o aumento da dívida pública. Com esta medida desce o índice do desemprego e faz baixar a inflação.

Espera, depois, que o acelerado crescimento económico volte a fazer subir as receitas e com isso diminua a dívida nacional. Alia-se à “Dama de Ferro”, Margaret Thatcher, que subscreve as suas políticas. E as nacionalizações dão lugar às privatizações que voam como o vento, contagiando e arejando as economias mundiais. A esquerda radical apelida os dois de neoliberais. Era a época do “laisser faire, laisser passer”.

Em 1984 é reeleito com uma margem de votação sem precedentes. E não perde tempo. Volta-se para a União Soviética que aponta como o inimigo externo e apelida de “império do mal”. Para o original Presidente Republicano não tem preço o resgate dos seres humanos espezinhados e oprimidos, sobretudo na Europa de Leste.

Aposta, assim, numa Europa democrática, onde a liberdade, a solida-riedade e a igualdade possível, venham a ser, consigo, uma realidade. Foi ele o primeiro a declarar guerra contra o terrorismo, ordenando bombardeamentos americanos contra a Líbia, silenciando para sempre a arrogância de Kadafi que nunca mais apareceu na televisão de dedo em riste. E foi tal o medo que já concordou no desmantelamento do seu programa nuclear e de outras armas de destruição maciça.

E mais ainda, concordou também atribuir uma enorme compensação de US$ 2,7 biliões aos familiares das vítimas do atentado terrorista de Lockerbie, na Escócia. É que o actual Presidente George W. Bush ainda lhe pareceu pior. Requisitou escoltas navais no golfo persa, mantendo assim o fluxo livre do óleo durante a guerra Irão/Iraque. E também financiou as revoltas anti-comunistas na América Central, na Ásia e em África.

Finalmente, mais uma vez, as suas qualidades de actor e comunicador vão ser postas à prova nos primeiros encontros com Mikhail Gorbachev. E passou nos testes.

“Chantageou” com o trunfo da Guerra das estrelas, conseguindo arrancar a ferros o tratado com vista à eliminação de mísseis nucleares. Morre assim a Guerra Fria. Até se tornaram tão bons amigos que acabam, nas cimeiras, a tratar-se por “Micha” e “Ron”.

«Bote-me esse muro abaixo», pede Reagan. E não foram poucos os que empurraram o muro da vergonha, aproveitando as indecisões do “Micha”, Nobel da Paz de 1990 e autor da histórica e ousada Perestroika. Decorridos já mais de dez anos, esperamos com esperança que os países que formaram a antiga União Soviética encontrem o seu rumo, o seu equilíbrio.

Ainda resta a Coreia do Norte que continua a chantagear com armas nucleares. Na Cuba do senhor Fidel já circulam dólares há muito tempo. E como estamos quanto à China? Um capitalismo selvagem. Corre de boca em boca o slogan: «O bom empregado é aquele que quer ser patrão». Já conseguiram os capitalistas chineses que passasse a fazer parte integrante da Constituição uma cláusula revolucionária que proíbe a alienação pelo Estado de bens nas mãos de privados.

Com Mao os chineses só tinham direito à escova de dentes. No Sul da China fumegam por todo o lado de noite e dia fábricas, invadindo o mundo inteiro com seus produtos de selo “Made in China”. Um passo grande no sentido de acabar com o Estado-patrão.

«O império era para as famílias imperiais. Mao Tse-tung deixou-nos a todos pobres.

Este regime é do povo». E o partido colabora. O pior é que, no campo, ainda vivem 800 milhões de chineses, um terço da população, onde os salários são de miséria. E não são muito mais altos os salários urbanos dos trabalhadores das fábricas, no Sul.

Deng Xiaoping preconizou a abertura ao exterior. Venha outro Deng qualquer que preconize a abertura à democracia para que se espalhem sindicatos por todo o lado, que protejam quem trabalha no duro, já que os patrões estão sobejamente protegidos.

Karl Marx reage, de forma viva, no capítulo intitulado “acumulação primitiva”, da sua histórica obra, aos processos desumanos, na obtenção de lucros, através do trabalho de escravos indefesos: «O capital, ao surgir, escorrem-lhe sangue e sujidade por todos os poros dos pés à cabeça».

Ainda há muito caminho a percorrer para que acabe a fartura para quem compra um artigo, de alta qualidade, por um euro, numa das fábricas chinesas, e o vende por dez, ao intermediário, para ser comprado, a seguir, numa qualquer loja ocidental, por exemplo da Sonae, por trinta euros.

É bom que haja, como há já, 11 mil Mercedes e BMW, nas mãos de capitalistas chineses. Mas é mau que haja milhões e milhões a trabalhar de sol a sol com rendimentos que dão apenas para uma sopa mal adubada.




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