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Uma lição objectiva e oportuna

As famílias, as escolas, os pedagogos estarão dispostos a inverter a situação que actualmente se vive?

N/D
16 Jun 2004

Tem-se dito, em lugares públicos e históricos, muitas coisas que referindo-se a Portugal, do seu presente e do seu futuro, não se harmonizam com as realidades. É que estas, as realidades, são vistas e analisadas pela visão pessoal de quem as pronuncia e não pela visão histórica e, portanto, objectiva.
A política altera o tempo, as realidades, e prejudica os efeitos que se esperam de tais iniciativas e projectos.

É por isso que vemos com preocupação as afirmações que se fazem em lugares públicos ou por agentes responsáveis.

Entre nós, acontece isto com muita frequência e facilidade, desde os deputados parlamentares até uma simples reunião camarária local.

Os agentes servem-se frequentemente da voz ou do silêncio dos seus elementos partidários e não da voz do cidadão que vive no meio em que se registam os factos ou em que se projectam decisões superiores. Importa respeitar os factos e os motivos ou razões que os promovem e para quem as promovem.

A imprensa colabora com demasiada insistência e demasiada facilidade neste agir quer seja privado quer seja público.

Corre a obter dador de informação, mesmo quando a Justiça, e em silêncio, está a elaborar os processos que a Lei lhe impôs.

E quantas vezes acontece, após a acção judicial, verificar que as informações não foram objectivas.

Quando se fala ou escreve para o público, a responsabilidade une-se à prudência e ao respeito devido à pessoa.

Acontece, embora noutro campo, que se apresentam trabalhos com intuitos históricos para informar os leitores seja em livro seja através da imprensa. Nesta há o direito da resposta e, quando no livro, o caso encaminha-se mais para o tribunal.

Quem escreve deve preocupar-se com a verdade objectiva e não com a sua conveniência ou oportunidade. A verdade!… Esta vemo-la com franca disposição intelectual e objectiva.

Lemos recentemente num óptimo trabalho histórico que é uma lição para quem escreve e respeita a História.

É a “Autobiografia Política”, de Aníbal Cavaco Silva, no qual expõe temas e debates.

Diz no prefácio: «Tal como o primeiro volume, este livro não é um trabalho sobre a actividade dos Governos a que presidi. É apenas a minha autobiografia política. Falo acima de tudo do que se passou comigo, da minha própria acção, dos episódios em que participei, das minhas decisões e actividades.

Falo dos muitos momentos de satisfação que vivi, mas também dos tempos de dificuldade, das alegrias e das desilusões.

Muitas são as coisas que, pela primeira vez, conto como se passaram.

Ao longo deste livro perpassa a preocupação de rigor e objectividade que me acompanhou ao longo dos dois anos em que dediquei boa parte das minhas horas livres a escrevê-lo. O cuidado em ser rigoroso quanto aos factos e situações fez com que a tarefa de escrever a minha autobiografia se revelasse trabalhosa e demorada».

Citamos estas palavras de Cavaco Silva no prefácio do livro para vermos como se impõe a quem escreve para o público um dever insubstituível: a objectividade.

Esta realidade impõe-se a todos nós, embora a sociedade em que vivemos a rejeite com factos. As famílias, as escolas, os pedagogos estarão dispostos a inverter a situação que actualmente se vive?




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