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A interrupção de um compromisso

O que provavelmente trarão os socialistas será mais despesa, mais função pública, mais “pontes” e menos produtividade e, como na velha máxima, “quem vier a seguir que feche a porta”

N/D
15 Jun 2004

O meu compromisso de escrever de uma forma regular para com este jornal chega hoje ao fim, ou na melhor das hipóteses ver-se-á interrompido por um grande período de tempo. A minha vida profissional tem originado que passe muito tempo longe de Braga, o que tem tornado para mim cada vez mais difícil conseguir manter este comprometimento.
Inicialmente tinha colocado como meta não incluir o presidente da edilidade bracarense nas minhas análises ou opiniões. É verdade que, enquanto fui membro da Assembleia Municipal de Braga, o edil bracarense foi amiúde tema dos meus escritos, onde sempre fiz questão de registar essa minha função de cidadania.

Fora desse contexto, julgava eu que referir-me ao presidente da edilidade era dar-lhe importância que me parece não merecer. Confesso contudo, que falhei nesse meu objectivo, não porque o desejasse, mas sim porque, enquanto cidadão desta urbe, inevitavelmente não poderia ficar indiferente a muito do que assistia.

A referência a este assunto resulta da consciência de que quem me leu ao longo destes meses, associa-me invariavelmente a quem escreve sobre o presidente da Câmara de Braga. No entanto, se alguém se desse ao trabalho de consultar o que escrevi, verificaria que em quantidade essas referências são diminutas.

Contudo admito que possam ser de alguma maneira incisivas, mas assuntos como o Teleférico Turístico de Braga, a Capital Europeia da Cultura em parceria com Salamanca, os milhões na “loucura” da obra de arte, etc., obrigam inevitavelmente à sua abordagem.

Porém, também houve quem me leu com atenção, isto porque fui abordado de forma curiosa algumas vezes, recordando-me particularmente de alguém que se me dirigiu para dizer que tinha percebido muito bem o que era a curva de experiência, e se essa pessoa ouviu o projectista do novo estádio municipal de Braga a dizer na televisão que se fosse hoje fazia o estádio mais baixo, sem as filas de cima, deve ter sorrido.

E, como dizia, quem me leu com atenção, pôde constatar que não escondendo aquilo em que acredito, sempre registei aquilo que de positivo merecia referência, quer fossem pessoas, instituições ou acontecimentos.

Não poderei terminar sem uma referência aos últimos resultados eleitorais, que mostraram nitidamente o “cartão amarelo” ao actual governo. É claro que, de forma generalizada por toda a Europa, houve uma votação de sentido contrário aos partidos que estão no governo. Foi precisamente num país governado pela esquerda, no caso a Alemanha, onde essa situação mais se evidenciou, tendo os Democratas Cristãos obtido mais do dobro dos votos do partido do chanceler Gerhard Schröder.

Acontece que o dinheiro não estica, nem mesmo nos países mais ricos. Aparentemente passou despercebida a declaração do Professor Sousa Franco, que a idade da reforma vai inevitavelmente aumentar, e desenganem-se aqueles que pensam que quando os socialistas chegarem novamente ao governo, as propinas vão acabar, os hospitais vão deixar de ser S.A., os notários voltarão a ser os únicos na Europa com estatuto de privados, etc.

O que provavelmente trarão os socialistas será mais despesa, mais função pública, mais “pontes” e menos produtividade e, como na velha máxima, “quem vier a seguir que feche a porta”.




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